quinta-feira, 5 de maio de 2011

Feira Medieval (5 a 8 de Maio) - Torres Novas



A iniciativa segue na linha da Feira Quinhentista que se realizou no ano passado, sob o tema “Revisitar D. Manuel I – 500 anos do Foral Novo”. Este ano o certame é dedicado às Cortes de 1438 e o evento pretende ser um meio para atingir o fim da revitalização do centro histórico de Torres Novas. Será recriado o ano da morte de el-Rei D. Duarte, deixando o príncipe herdeiro com apenas 6 anos de idade. Era necessário resolver a questão da regência e a respectiva condução dos destinos de Portugal durante a menoridade de D. Afonso V, e a disputa entre facções de opinião divergente quase levou o reino a uma guerra civil, tendo Torres Novas sido cenário desse confronto.  Assim, através da representação teatral, da música, da dança, gastronomia e diversas outras artes, Torres Novas fará uma viagem de 4 dias ao século XV, vestindo-se e vivendo a rigor. Dentro do Centro Histórico, constituirão palco natural e privilegiado do evento alguns elementos arquitectónicos como o castelo da cidade, a Praça 5 de Outubro, os templos situados nas imediações, bem como a malha urbana que os liga, criando um roteiro propício ao desenrolar das actividades. Espaços que farão a passagem para uma outra dimensão, onde as bestas se cruzam com homens de guerra e gente de má fama, onde o clero caminha em conluio com a fidalguia, preparando argumentação para as Cortes, malabaristas passeiam-se por entre mercadores do norte de África, ao som das vendedoras de sonhos e contadores de histórias da peste e da morte que grassa pelo reino. Torres Novas, num tempo de míngua e indecisão, de intriga e mau passar, receberá D. Afonso V, o Rei Menor que todos quiseram tutelar.

http://www.memoriasdahistoria.com/

sábado, 30 de abril de 2011

VII Mercado Medieval Almodôvar (29 de Abril a 1 de Maio)



Este evento pretende ser uma viagem à Idade Média, mais propriamente a 1285, época em que foi outorgado por D. Dinis o Foral à Vila de Almodôvar. A VII edição do certame proporcionará aos seus visitantes o contacto com personagens e a vivência de situações típicas da época, trazendo até ao presente cores, gostos, sons e danças do passado. Contadores de histórias, desvendadores de magias, encantadores de serpentes, arqueiros, cavaleiros, almocreves e mesteirais vão invadir o centro histórico da vila de Almodôvar, onde a acção será constante.
No dia 29 de abril, sexta-feira, pelas 16.00 horas, terá lugar a abertura oficial do Mercado Medieval, e pelas 18:00 horas, será efectuada a leitura do Edital e do Foral que El Rei D. Dinis manda outorgar a Almodôvar. A partir daí, os comes e bebes nas tabernas do mercado, o Arraial dos Trovadores, com os seus festejos e danças à desgarrada, ou as danças Moçárabes e a arte do Encantador de Serpentes, completam o ambiente medieval. Por volta das 23:00 horas, inúmeros castelhanos irrompem pela praça, travando-se uma pequena batalha, em que a Milícia da Vila põe os invasores em debandada. Entretanto, os festejos populares e cantares à desgarrada prosseguem, até que o Alcaide mande que se mande debandar o povo e que a festa termine.
No sábado, dia 30, e no domingo dia 1, o Mercado abrirá portas pelo meio dia e prosseguirá até por volta da meia noite, sempre com a apresentação de muita animação medieval, designadamente um Cortejo de El-Rei D. Diniz que sai a receber Dona Isabel de Aragão (15.00 horas de sábado), ou o cortejo Régio pelas ruas do Burgo com acompanhamento do clero, nobreza, dos mestres de ofício e dos servos da gleba.






quarta-feira, 27 de abril de 2011

VI Festival Internacional Máscara Ibérica - 28 de Abril a 30 Maio - Lisboa (Rossio)


O desfile revive tradições pagãs das máscaras de origem ibérica, mas que desde as últimas edições traz também até à capital alfacinha as máscaras de outras regiões da Europa. Com um programa de animação cultural e turística que conta com a apresentação de projectos musicais e culturais das regiões ibéricas, entre os quais espectáculos de música tradicional e moderna, arruadas, dias temáticos, gastronomias das várias regiões representadas, exposições, artesanato, workshops infantis e muito mais. O evento conta em 2011 com a participação de grupos de múltiplas regiões europeias e mais de 450 participantes.
 

sábado, 16 de abril de 2011

II Festival de Pão-de-Ló de Felgueiras (16 e 17 de Abril)


Primeiro Festival de Pão-de-Ló de Felgueiras foi mais uma ponte entre Norte de Portugal e Galiza from A Voz Local TV on Vimeo.


O imponente Mosteiro de Pombeiro acolhe esta iniciativa da Câmara Municipal de Felgueiras que visa promover a doçaria tradicional, nomeadamente o pão-de-ló, aproveitando para dinamizar a actividade do sector, tendo em conta as várias receitas tradicionais a nível local, nacional e internacional, sendo complementado com outras actividades de carácter recreativo, cultural e comercial. Estará também em evidência a doçaria tradicional do Vale do Sousa, a doçaria tradicional da Galiza, produtores de amêndoas, chocolates, vinho e licores. O destaque óbvio vai para o Pão-de-Ló de Margaride, com quase 300 anos de existência. É cozido em forno de lenha em formas de barro não vidrado. Estas formas constam de três tigelas, duas iguais e uma mais pequena, sendo esta colocada invertida no centro de uma das outras tigelas formando um cano. Depois de forrada com papel grosso, em quadrados sobrepostos, a massa é aí deitada, os bicos do papel virados para dentro e depois tapada com a outra tigela.

Aproveite também para conhecer a Rota do Românico do Vale do Sousa com programas especiais dedicados ao evento.



sexta-feira, 8 de abril de 2011

Moinhos Abertos (9 a 10 de Abril)


Na sequência do Dia Nacional dos Moinhos, celebrado a 7 de Abril, terá lugar pelo quinto ano consecutivo o Dia dos Moinhos Abertos de Portugal, organização da Rede Portuguesa de Moinhos, com o apoio da TIMS – Sociedade Internacional de Molinologia. Pretende-se mais uma vez chamar a atenção dos Portugueses para o inestimável valor patrimonial dos nossos moinhos tradicionais, de forma a motivar e coordenar vontades e esforços de proprietários, moleiros, organizações associativas, autarquias locais, museus, investigadores, molinólogos, entusiastas, amigos dos moinhos e população em geral. Estarão abertos 137 moinhos e 68 núcleos moageiros. A cobertura nacional abrange 13 distritos do Continente e da Região Autónoma dos Açores, num total de 45 municípios envolvidos. A Rede Portuguesa de Moinhos disponibiliza os locais onde, gratuitamente, pode visitar os mesmos.

Se quiser uma experiência mais a sério, saiba que pode hospedar-se num moinho, com todo o conforto moderno.






domingo, 27 de março de 2011

Batalha dos Atoleiros ( 2 e 3 de Abril) - Fronteira


Batalha dos Atoleiros from ccnunoalvares on Vimeo.

A Batalha dos Atoleiros teve um enorme significado. Em primeiro lugar, e no aspecto militar, Atoleiros foi uma grande vitória portuguesa e exclusivamente protagonizada por efectivos portugueses, com grande protagonismo de forças oriundas do Alentejo, contra um exército muito superior. Em segundo lugar, a Batalha dos Atoleiros significou o despontar da destreza e argúcia militar daquele que veio a ser um grande e respeitado chefe de guerra, D. Nuno Álvares Pereira. Para um pequeno povo que defrontava uma campanha e uma invasão de um grande e poderoso Reino, este acreditar na chefia militar foi fundamental para o moral, para cerrar fileiras e para enfrentar um inimigo superior em número e em material de guerra.
A Batalha dos Atoleiros representou também uma inovação táctica e militar, na medida em que, ao contrário do que era usual na época, a cavalaria teve ordem para desmontar e aguardar, a pé, a ofensiva inimiga. Em terceiro lugar, o êxito alcançado na Batalha dos Atoleiros teve um enorme impacto psicológico nos apoiantes do Mestre de Avis e de uma forma geral em Portugal, ao demonstrar que apesar de todo o seu poderio militar, os castelhanos não eram invencíveis. Esta constatação demonstrou aos portugueses, que se devidamente organizada e orientada, a luta pela independência do Reino poderia ser bem sucedida.
Paralelamente, a Batalha dos Atoleiros implicou uma alteração profunda na perspectiva dos castelhanos. Com efeito, os castelhanos chegaram a Atoleiros com uma confiança extrema, a roçar a sobranceria. Com esta derrota inapelável e estrondosa, toda a confiança castelhana na sua qualidade e superioridade numérica foi abalada de alto a baixo, e a partir daí, a campanha começou a deixar de ser encarada como um passeio e uma mera acção de polícia. Em quarto lugar, a Batalha dos Atoleiros constitui um acontecimento de extrema importância na chamada crise de 1383 a 1385, que consagrou e definiu, de uma vez por todas, a identidade de Portugal, como País, como povo e como nação. Esta consciência de independência nacional jamais se veio a perder, chegou aos nossos dias e certamente ficará para o futuro.

É assim possível afirmar que a partir de Atoleiros e da crise de 1383 a 1385, o país chamado Portugal perdeu a perspectiva de reino de organização baseada em laços feudais, para passar a dispor de uma consciência nacional, traduzida na noção de independência, na necessidade de fronteiras e de governo próprio, assegurado por nacionais e sem interferências estrangeiras. O êxito alcançado na Batalha dos Atoleiros iniciou assim um processo notável de afirmação da nação portuguesa, sem o qual não teria sido possível nem Aljubarrota, nem mais tarde o Acordo de Paz com Castela, em 1411.

N. B. - Texto retirado do site promocional da Batalha.



sábado, 19 de março de 2011

VIII Festa Internacional das Camélias (18-20 Março) - Celorico de Basto




Este certame tem como objectivos a divulgação e valorização do património natural constituído por camélias existentes no concelho, é já uma tradição celoricense, e conta com a realização de inúmeras acções direccionadas para o tema das camélias como exposições, concursos e trabalhos alusivos à flor. A festa das Camélias arrasta, anualmente, milhares de visitantes que querem saber mais sobre a planta que se encontra espalhada por muitos jardins do concelho. Esta planta de longevidade assinalável, originária da Índia e do Japão, surgiu nos jardins das casas solarengas deste concelho minhoto há pelo menos dois séculos.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Pedra Letreira - Alvares - Góis

                                          Foto de Goisproperty.com
                               
A Pedra Letreira é um monumento de arte rupestre dos primórdios da Pré-História recente que foi descoberto nos anos 50 do século passado. É um afloramento de xisto ante-câmbrico, de estratificação vertical, em cuja superfície horizontalmente alisada se encontra uma sequência de gravuras inscritas. É tida pelos populares como uma obra de mouros que teriam ali deixado os seus fascinantes tesouros. O que se sabe é que estes vestígios do passado preenchem lacunas sobre o conhecimento da pré-história local, indiciando uma presença humana activa, motivada pela abundância de minérios. O processo de gravação utilizado para inscrever as figuras, que integram o petróglifo, foi o método da abrasão com instrumento bicudo e sólido, muito provavelmente um machado. Este imponente monumento permite uma viagem no tempo, onde podemos observar uma série de representações, interpretadas como arco e flecha e outras mais complexas, talvez do Bronze Inicial.

Acessos: Seguindo na Estrada Nacional nº2, na rotunda da Portela de Góis, vire à sua esquerda em direcção a Alvares. Alguns quilómetros depois, vire à sua direita (direcção Alvares) e, logo a 30 metros, seguir a pé pelo caminho de terra batida à sua direita. Após 700 metros, já consegue visualizar ao fundo uma espécie de plataforma a meia encosta.  

N. B. - Parte do texto retirado de prospecto turístico da Câmara Municipal de Góis.

Góis Selvagem from Luis Ferreira on Vimeo.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Danças dos Cus - Carnaval de Cabanas de Viriato (Carregal do Sal))





Longe dos carnavais "abrasileirados" pelas telenovelas e perto das tradições portuguesas, Cabanas de Viriato ( terra desse magnífico grande vulto chamado Aristides de Sousa Mendes, o "Justo entra as Nações", ex-cônsul de Portugal em Bordéus que salvou milhares de judeus do jugo nazi) atrai milhares de forasteiros de todo o país que se fantasiam e dão um colorido invejável à vila durante três dias.

O verdadeiro nome da folia é "Dança Grande", mas os forasteiros mudaram-lhe o título, porque, "quando há variações de ritmo, as pessoas vão ao centro e chocam de rabo". A "tradição genuinamente nacional" sobrevive desde 1865.  Domingo de Carnaval é reservado para as crianças que conta com a participação de todas as escolas do concelho. Segunda e Terça-feira, é para todas as idades, todos quantos queiram participar, na famosa Dança dos Cus:  ao som da Valsa de Carnaval tocada pela banda da Sociedade Filarmónica, alinhados em duas filas, os foliões vão dançando pelas ruas da vila, batendo com os traseiros nos dos vizinhos do lado quando há uma variação do ritmo. A sua forma tão “desorganizada”, espontânea, natural, onde todos podem participar livremente, é de facto cativante, imperdivel. 

"Zambombadas", uma sonora designação para não menos barulhentas sessões de bombos, fortemente percutidos durante a noite, e que começam a percorrer a vila e a anunciar o Carnaval com 15 dias de antecedência. De domingo a terça feira, nas horas deixadas livres pela dança dos cus, ouvem-se as "entrudadas", sessões de declamação de quadras populares, ditas ao ritmo dos bombos, denunciando segredos da vila. "Ouve-se então o que toda a gente já sabe, mas que algumas pessoas queriam manter em segredo".










quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Torre da Universidade de Coimbra




 A Torre da Universidade de Coimbra reabriu ao público para visitas guiadas, após uma reabilitação que durou cerca de um ano e foi financiada por antigos estudantes e por um conhecido Banco.
O restauro pretendeu devolver à Torre a sua dignidade visual, nomeadamente a limpeza e restauro da pedra, a substituição das caixilharias e o reforço das condições de segurança, iluminação, informação e meios de comunicação.
Do alto dos seus 34 metros (altura equivalente a um prédio de 12 andares), a Torre Universitária de Coimbra, o maior símbolo da instituição, vigia a cidade. Foi edificada entre 1728 e 1733 por António Canevari, local onde os visitantes têm à sua espera a árdua tarefa de vencer os 180 degraus de escada em caracol. O remate em forma de terraço é uma das características da Torre, que aloja, além dos relógios, três sinos, que regulam o funcionamento do ritual da Universidade e são conhecidos entre os estudantes por "Cabra, Cabrão e Balão".
Esta intervenção monumental fez parte de um vasto plano de recuperação e valorização da Alta Universitária, no âmbito da candidatura da Universidade de Coimbra a Património Mundial.
Ir ver a Torre da Universidade e não visitar a Biblioteca Joanina, é como ir a Roma e não ver o Papa.





quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Gerês Romântico (S. Valentim) - Terras de Bouro - 12 a 14 Fev.



A Câmara Municipal de Terras de Bouro decidiu aproveitar o fim-de-semana de S. Valentim para promover o concelho junto de casais apaixonados e, melhor do que isso, juntar o útil ao agradável e habilitarem-se a ganhar prémios.
Ocupando 55,7% da área do concelho, o Parque Nacional Peneda-Gerês, único no país, é o grande chamariz turístico. Caminhe pela Via Romana da Geira, atravessando para Espanha, tenha a sorte e o privilégio de ver a enigmática Vilarinho das Furnas, uma espécie de Atlântida, encha os pulmões na encantadora vila do Gerês, delicie-se com a visão magnífica do Miradouro da Pedra Bela, refresque-se na Cascata do Arado, ouça o sussurro da natureza na Mata da Albergaria (Reserva Biogénica da Europa), visite os 29 moínhos de água de Stª. Isabel do Monte e entre no Santuário de S. Bento da Porta Aberta.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Buddha Eden (Jardim da Paz) - Bombarral


A destruição dos Budas Gigantes de Bamyan (Património da Humanidade), no Afeganistão, está na origem da criação deste espaço com a marca de José Berardo. É pois uma homenagem à tragédia de 2001, um lugar de meditação e introspecção interior, sem qualquer tipo de pretensão religiosa, feita através de um extraordinário jardim recheado de fantásticas esculturas orientais (budas, pagodes, e estátuas de soldados de terracota).

Ontem morreu Gary Moore, a lenda da guitarra norte irlandesa. Espero que encontre a paz num local como este.



sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

XX Feira do Fumeiro e Presunto de Barroso - Montalegre - 27-30 Jan.



A Feira do Fumeiro e Presunto de Barroso nasceu timidamente em 1992. Porém, o arranque foi difícil. Tudo porque, tradicionalmente, só os "pobres" vendiam os presuntos e as chouriças produzidas em casa, na maioria das vezes de forma escondida. Os produtores que poderiam dispensar fumeiro para venda sentiam-se envergonhados em fazê-lo publicamente. De uma forma estratégica aliado a um bom senso, a comissão organizadora redesenhou um novo modelo do projecto: ia a casa dos produtores buscar os produtos. Pesava os produtos e atribuía-lhes um preço. Depois vendia-os sem referência ao nome do seu produtor, apenas com um código que só ela própria conhecia e, posteriormente, entregava ao produtor o dinheiro resultante da venda. Este modelo vingou durante os dois primeiros anos. A partir do terceiro ano alguns produtores começaram a permitir que o seu nome fosse colocado nos rótulos dos produtos. Só a partir de 1999 foi possível organizar uma Feira do Fumeiro onde todos os produtores estivessem presentes.

A opção estratégica da Câmara de Montalegre em realizar a Feira do Fumeiro está sustentada na convicção de que o fumeiro e o presunto, que sempre se produziram nesta região, eram de alta qualidade e tinham um nicho de mercado capaz de os absorver. No entanto, é inquestionável que o sucesso crescente da Feira do Fumeiro e Presunto de Barroso e das dinâmicas que lhe estão adjacentes se deve, sobretudo, à metodologia de organização utilizada, assente sempre num modelo de gestão e avaliação participativa. Esta metodologia permitiu responsabilizar os produtores pela qualidade dos produtos vendidos e devolveu-lhes a auto-confiança e a auto-estima, enquanto actores privilegiados de todo o processo.
 

domingo, 23 de janeiro de 2011

Portão da Quinta do Crasto


Quem percorre a Estrada Nacional 101 de Monção para Valença, quase na divisória dos dois concelhos e das freguesias vizinhas de Lapela e Friestas, depara-se subitamente com uma imponente frontaria de granito que tem desafiado o decurso dos séculos. É o celebrado portão da Quinta do Crasto, ou de Castro. A grandiosidade do portão contrasta com o resto da propriedade que terá pertencido à aristocrática família  Pimenta de Castro.
À escassez de informação credível sobre a misteriosa quinta, contrapõe-se a lenda e a sabedoria popular consubstanciada em duas narrativas que, como todas as lendas, enfermam de escassa credibilidade. A primeira é que na freguesia vizinha de Gondomil, dois homens envolveram-se numa contenda por causa dos marcos que dividiam as respectivas propriedades.À boa maneira do norte, o homem que se considerava roubado, puxou da enxada e desferiu um golpe na cabeça do vizinho, matando-o. Entretanto foram chamados os guardas da Rainha para prender o homicida. Este, conhecedor dos direitos e privilégios do Portão da Quinta do Crasto, fugiu e dirigiu-se para ali perseguido pelos guardas e pela população. Chegando lá, agarrou-se ao portal conseguindo eximir-se à justiça porquanto, todos aqueles que se protegessem junto do portal expiavam os crimes cometidos.
A segunda reza que, perante a ameaça das tropas napoleónicas que invadiram Portugal pelo Norte, os proprietários da nobre Quinta reuniram todo o dinheiro e jóias que possuíam e entregaram o fabuloso tesouro a um fiel criado incumbindo-o de o colocar em segurança. O criado apareceu mais tarde morto mas do tesouro nunca mais se soube, o que leva a considerar duas hipóteses: uma que teria o fiel servo escondido o tesouro em local seguro e levado o segredo do seu esconderijo para a eternidade, outra que aponta a possibilidade de ter sido morto e roubado pelos invasores.

N. B. - Este texto é da autoria de Boaventura Eira-Velha, do blogue "Memórias".

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Festa das Fogaceiras - 20 Janeiro - Stª. Mª. da Feira



A Festa das Fogaceiras teve origem num voto ao mártir S. Sebastião, em 1505, altura em que a região foi assolada por um surto de peste que dizimou parte da população. Em troca de protecção, o povo prometeu ao santo a oferta de um pão doce chamado fogaça. S. Sebastião, que segundo a lenda padeceu de todos os sofrimentos aquando do seu martírio em nome da fé cristã, tornou-se, assim, o santo padroeiro de todo o condado da Feira. No cumprimento do voto, os ofertantes incorporavam-se numa procissão que saía do Paço dos Condes e seguia pela Igreja do Convento do Espírito Santo (Lóios), onde eram benzidas as fogaças, divididas em fatias, posteriormente repartidas pelo povo. Assim nasceu a Festa das Fogaceiras, chegando até aos nossos dias com dois traços essenciais: a realização da missa solene, com sermão, precedida da bênção das fogaças, celebrada na Igreja Matriz, e a procissão, que sai da Igreja Matriz, percorrendo algumas ruas da cidade.
Com a proclamação da República, acrescentou-se um novo ritual: a formação de um cortejo cívico, a partir dos Paços do Concelho rumo à Igreja Matriz, antes da missa solene, que integra as meninas “fogaceiras”, que levam as fogaças à cabeça, bem como as autoridades políticas, administrativas, judiciais e militares e personalidades de relevo na vida municipal.
A procissão festiva realiza-se a meio da tarde e congrega símbolos religiosos, com destaque para o mártir S. Sebastião, bem como uma representação civil, com símbolos autárquicos, económicos, sociais e culturais de cada uma das 31 freguesias do concelho, numa curiosa mistura entre o civil e o religioso.
No cortejo e procissão as atenções recaem, naturalmente, sobre as fogaceiras, segundo a tradição “crianças impúberes”, provenientes de todo o concelho, vestidas e calçadas de branco, cintadas com faixas coloridas, que levam à cabeça as fogaças do voto, coroadas de papel de prata de diferentes cores, recortado com perfis do castelo.
Inicialmente, as “fogaças do voto” eram distribuídas pela população em geral, depois pelos pobres e mais tarde pelos presos, pobres e personalidades concelhias, em fatias chamadas “mandados”. Actualmente, são entregues às autoridades religiosas, políticas e militares que têm jurisdição sobre o município de Santa Maria da Feira.
Manda a tradição que, por ocasião da Festa das Fogaceiras, os feirenses enviem fogaças aos familiares e amigos que se encontram longe.
A fogaça é um pão doce tradicional de Santa Maria da Feira, cujas primeiras referências conhecidas aparecem nas inquirições de D. Afonso III, no século XIII (1254/1284) e que era usada como pagamento de foros. O seu formato estiliza a torre de menagem do castelo com os seus quatro coruchéus. A fogaça é cozida diariamente em várias casas de fabrico do concelho e distingue-se por tradicionais aprestos, quer no preparo, quer na forma como vai ao forno. Os ingredientes base utilizados na confecção desta iguaria são água, fermento, farinha, ovos, manteiga, açúcar e sal.
https://www.cm-feira.pt/portal/site/cm-feira

domingo, 2 de janeiro de 2011

Presépio ao vivo de Priscos (Braga)




Termina já no próximo fim-de-semana (8 e 9 de Janeiro) aquele que é considerado o maior presépio vivo da Europa. Com 600 figurantes, na sua maioria residentes na freguesia, o presépio é uma espécie de viagem ao tempo de Jesus Cristo com cenários referentes à cultura egípcia, romana e judaica. A organização do evento é um projecto entre a Paróquia de S. Tiago de Priscos e a comunidade, tendo contado com a prestigiante visita de D. Jorge Ortiga e do Núncio Apostólico em Portugal, D. Rino Passigato.

Apesar  da  boa vontade e entreajuda dos organizadores, a tentativa de chegar ao rigor histórico, acho que esta quinta edição do Presépio Vivo deveria ser futuramente melhor planeada. Gente a mais para o recinto (30 mil metros quadrados),  falta  de estacionamento, sinalização  insuficiente, ruas com tráfego congestionado, obrigatoriedade dos visitantes em fazerem o    percurso total dentro do recinto e poucas saídas de emergência.



quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Reserva Dark Sky - Alentejo

                       Foto de http://www.turismoalqueva.pt/

A "Reserva" é uma área livre de luz artificial, onde o céu é particularmente escuro o mais próximo possível do seu estado original. Esse facto permite a observação astronómica das estrelas, astros, nebulosas, cometas e todos os componentes do céu, mas também permite usufruir de outras actividades nocturnas, como a observação de animais. No mundo, são ao todo 22. Esta, do Alentejo interior, com a Albufeira do Alqueva como pano de fundo, abrange seis concelhos: Alandroal, Reguengos de Monsaraz, Portel, Barrancos, Moura e Mourão, numa área total superior a 3000 km 2. Esta espécie de turismo científico obrigou algumas câmaras a diminuir a poluição luminosa, diminuindo as luzes entre as 23h e as 5h da manhã para assim se conseguir um céu mais escuro.
Associada à Reserva está a Rota Dark Sky que permite a observação do céu com astrónomos, profissionais ou amadores e respectivos utensílios - telescópios e binóculos -, e outras actividades nocturnas como canoagem, passeios a cavalo, passeios pedestres e passeios de orientação.
Quem sabe se não pode passar um final de ano diferente, sossegado, longe de multidões histéricas, brindando à descoberta de milhões de planetas e constelações! Um verdadeiro réveiluar!

N.B. - Foram feitas algumas transcrições da Revista Única (Expresso) de 18/12/10.

sábado, 25 de dezembro de 2010

A tradição do Madeiro



Em muitas aldeias de Portugal, uma boa parte da Consoada de Natal é passada à volta de um tronco volumoso de pinheiro, castanheiro ou sobreiro ardendo em brasa. Os enormes troncos  de árvores são antecipadamente empilhados em tractores (ou carros de bois) e transportados em cortejo rumo ao largo da igreja ou capela da respectiva localidade. Muitas vezes, a fogueira prolonga-se até ao Dia de Reis. Esta tradição simboliza a partilha e o espírito de comunidade que deverá estar presente nesta época festiva do ano. Existem também teorias que remetem esta festa para primitivos cultos pagãos, de celebração do solstício de Inverno.
A população de Penamacor orgulha-se de dizer que possui o maior madeiro do país.
 






quinta-feira, 23 de dezembro de 2010