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sábado, 6 de fevereiro de 2016

Entrudo do Pai Velho - Lindoso (Ponte da Barca)



A celebração do enterro do Pai Velho está directamente ligada à dos Reis. Enquanto no dia 5 de Janeiro os homens iam a cada casa cantar as Janeiras, no dia 6 realizava-se o peditório para o Carnaval que consistia em dádivas alimentares. Quem recusava participar era alvo de sanções sociais expressas no roubo ritual de alguns dos haveres da casa e do campo.
Entre os Reis e o Carnaval tinha lugar a chamada ceia de Carnaval em que se organizava as festas carnavalescas. Os cortejos são feitos nos lugares de Castelo e Parada, competindo entre si, nomeadamente na disputa para se ter o carro de bois mais exuberante e vistoso, feito pelos homens à base de elementos vegetais (palha, flores, ervas, cedro).
Esta celebração representa a despedida do Inverno - o enterro do Pai Velho, a queima do boneco de palha e a leitura do seu testamento - e a  chegada da Primavera. "No carro das ervas está  a chegar a Primavera, no carro do Pai Velho está a ir-se embora o Inverno. Adeus Pai Velho - eras um bom Pai".

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Entrudo da Chamusca (Santarém)



Um grupo de mais de uma dezena de elementos munidos de vários potes de barro (quartões), transportados num burro velho, partem pela vila, parando nas tascas, adegas de amigos e cafés. Em roda, lançam o quartão de uns para os outros, e quem o deixar cair paga uma rodada ou uma multa.
Na Quarta-Feira de cinzas dá-se o "Enterro do Galo" com vários protagonistas: um padre, um sacristão, uma viúva e várias carpideiras que se riem do próprio choro. Debitam-se quadras picantes com o objectivo de recordar e coscuvilhar os acontecimentos mais marcantes do ano na vila. Uma crónica social para que alguns dos envolvidos possam corar!


quinta-feira, 3 de março de 2011

Danças dos Cus - Carnaval de Cabanas de Viriato (Carregal do Sal))





Longe dos carnavais "abrasileirados" pelas telenovelas e perto das tradições portuguesas, Cabanas de Viriato ( terra desse magnífico grande vulto chamado Aristides de Sousa Mendes, o "Justo entra as Nações", ex-cônsul de Portugal em Bordéus que salvou milhares de judeus do jugo nazi) atrai milhares de forasteiros de todo o país que se fantasiam e dão um colorido invejável à vila durante três dias.

O verdadeiro nome da folia é "Dança Grande", mas os forasteiros mudaram-lhe o título, porque, "quando há variações de ritmo, as pessoas vão ao centro e chocam de rabo". A "tradição genuinamente nacional" sobrevive desde 1865.  Domingo de Carnaval é reservado para as crianças que conta com a participação de todas as escolas do concelho. Segunda e Terça-feira, é para todas as idades, todos quantos queiram participar, na famosa Dança dos Cus:  ao som da Valsa de Carnaval tocada pela banda da Sociedade Filarmónica, alinhados em duas filas, os foliões vão dançando pelas ruas da vila, batendo com os traseiros nos dos vizinhos do lado quando há uma variação do ritmo. A sua forma tão “desorganizada”, espontânea, natural, onde todos podem participar livremente, é de facto cativante, imperdivel. 

"Zambombadas", uma sonora designação para não menos barulhentas sessões de bombos, fortemente percutidos durante a noite, e que começam a percorrer a vila e a anunciar o Carnaval com 15 dias de antecedência. De domingo a terça feira, nas horas deixadas livres pela dança dos cus, ouvem-se as "entrudadas", sessões de declamação de quadras populares, ditas ao ritmo dos bombos, denunciando segredos da vila. "Ouve-se então o que toda a gente já sabe, mas que algumas pessoas queriam manter em segredo".










segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Entrudo de Podence (Macedo de Cavaleiros) 14 a 16 Fevereiro



A aldeia de Podence, no Nordeste Transmontano, a 7 km de Macedo de Cavaleiros, é especialmente conhecida por uma tradição muito própria, relacionada com o Entrudo. Os chamados Caretos de Podence, rapazes envergando fatos de cores garridas e máscaras de madeira, couro ou lata, pintadas de cores vivas, onde sobressai o nariz pontiagudo.  As suas vestes são confeccionadas a partir de colchas franjadas de lã ou de linho, verde, azul, preta, vermelha e amarela. Os "caretos" saem à rua no Domingo e na Terça-feira, ao som dos bombos e da gaita-de-foles. Com um ar rebelde e atrevido, proporcionam muita animação, mas também chocalham as raparigas solteiras que apanham na rua, correm atrás das mulheres – principalmente das novas e solteiras – para «chocalhá-las», isto é, para abraçá-las lateralmente e com movimentos rápidos de semi-rotação da cintura fazer com que os chocalhos que transportam à cinta lhes batam repetidamente nas nádegas. Fazem parte de uma tradição secular transmontana, que se julga estar associada a práticas mágicas, relacionadas com os cultos agrários da fertilidade. Os mascarados assinalam a chegada dos dias maiores, do calor, bem como os exageros que antecedem a Quaresma, um período de calma, reflexão e contenção do calendário religioso.

Como os trajes dos caretos são reservados, apenas, ao sexo masculino, as raparigas vestem-se de marafonas para saírem à rua disfarçadas no dia de Carnaval. Neste ritual pagão, as praxes do Carnaval de Podence obrigam a que as crianças do sexo masculino (até aos 11, 12 anos) se mascarem como réplicas dos «caretos» adultos, embora menos elaboradas e se comportem à sua semelhança. Conhecidos por «facanicos», acompanham, nas suas andanças e brincadeiras, o grupo dos rapazes solteiros. Certamente, a forma encontrada para que a figura dos «caretos» não se perca, antes se reforce no objectivo de preservar e garantir a continuidade desta tradição carnavalesca.

Ainda não há muitos anos, as pessoas punham trancas às portas e janelas, assustadas com o que lhes podia acontecer.











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