terça-feira, 7 de abril de 2026

Mala-posta, primeiro serviço público português de correspondência e mercadoria (Lisboa-Porto)

Há mais de 200 anos, surgiu o primeiro serviço público português de transporte de passageiros, correspondência e mercadoria. A mala-posta, também conhecida como diligência, tal como nos filmes do oeste americano, era uma carruagem puxada por duas parelhas de cavalos, onde não faltavam bandos que a tentavam assaltar para roubar pertences e correspondência importante.  O postilhão era o empregado responsável pela segurança do correio e o único que efectuava toda a viagem. Em percursos longos, os cavalos e os cocheiros eram substituídos diversas vezes nas chamadas estações de muda que tinham uma arquitetura muito semelhante, em forma de U, edifícios oitocentistas de apoio onde figurava o escudo das armas reais e que também serviam para descanso dos passageiros ou para efectuar refeições, a maior parte junto à antiga Estrada Real nº 1 Lisboa - Porto (hoje EN 1/IC 2). 

A aplicação da máquina a vapor a navios e caminhos de ferro, e a abertura de estradas iniciada na segunda metade do século XIX, desenvolveu o serviço postal e acabou com este conceito de malas postais.

No percurso entre Lisboa e Porto, havia 23 estações de muda, muitas delas construídas de raiz e algumas classificadas como Imóvel de Interesse Público, embora abandonadas. As imagens do post são da Estação de Souto - Redondo, em Sanfins / São Jorge, Santa Maria da Feira, construída em 1859. Também é visível nas fotografias um troço da Antiga Estrada Real Lisboa - Porto, no lugar de Airas, São João de Ver, junto às ruínas da Quinta da Fonte Nova, localização que lhe conferia uma importância logística e social elevada nos séculos passados.