Favaios é terra do vinho moscatel mas também do pão de trigo de "quatro cantos". Na freguesia, ainda existem várias padarias que fabricam o pão de forma artesanal, relembrando os tempos onde havia quase um forno em cada rua da aldeia. A mais conhecida é Manuela "Barriguda", que produz o "molete" praticamente de forma manual, disponibilizado na hora a quem o quiser comprar e provar, mas também a padeira Rosália Araújo, que regressou à Aldeia Vinhateira depois de ter sido contratada para servir António de Oliveira Salazar, em 1969. Estes edifícios são um autêntico património cultural da região duriense com paredes escurecidas pelo fumo e mobiliário antigo gasto pelo tempo, uma experiência sensorial do cheiro a pão fumegante e levemente tostado num ambiente polvilhado de farinha e fermento.
About Portugal
Este blog serve para identificar lugares recônditos do país, tradições, sítios com história, ou simplesmente lugares naturais de uma beleza deslumbrante. Urge preservar esses espaços para as gerações futuras afim de termos orgulho da nossa essência lusitana.
quinta-feira, 23 de abril de 2026
quinta-feira, 16 de abril de 2026
Cidadelhe (Pinhel)
Foi o romance de José Saramago, "A Viagem do Elefante", que trouxe visibilidade à aldeia de Cidadelhe, situada no extremo norte do concelho de Pinhel, em pleno Vale do Côa, paraíso da arqueologia. Aqui, no "calcanhar do mundo", na paz absoluta, a riqueza está nas pedras de granito carregadas de história, na arte rupestre, nas ombreiras das portas gravadas com figuras, caracteres e datas.
terça-feira, 7 de abril de 2026
Mala-posta, primeiro serviço público português de correspondência e mercadoria (Lisboa-Porto)
Há mais de 200 anos, surgiu o primeiro serviço público português de transporte de passageiros, correspondência e mercadoria. A mala-posta, também conhecida como diligência, tal como nos filmes do oeste americano, era uma carruagem puxada por duas parelhas de cavalos, onde não faltavam bandos que a tentavam assaltar para roubar pertences e correspondência importante. O postilhão era o empregado responsável pela segurança do correio e o único que efectuava toda a viagem. Em percursos longos, os cavalos e os cocheiros eram substituídos diversas vezes nas chamadas estações de muda que tinham uma arquitetura muito semelhante, em forma de U, edifícios oitocentistas de apoio onde figurava o escudo das armas reais e que também serviam para descanso dos passageiros ou para efectuar refeições, a maior parte junto à antiga Estrada Real nº 1 Lisboa - Porto (hoje EN 1/IC 2).
A aplicação da máquina a vapor a navios e caminhos de ferro, e a abertura de estradas iniciada na segunda metade do século XIX, desenvolveu o serviço postal e acabou com este conceito de malas postais.
No percurso entre Lisboa e Porto, havia 23 estações de muda, muitas delas construídas de raiz e algumas classificadas como Imóvel de Interesse Público, embora abandonadas. As imagens do post são da Estação de Souto - Redondo, em Sanfins / São Jorge, Santa Maria da Feira, construída em 1859. Também é visível nas fotografias um troço da Antiga Estrada Real Lisboa - Porto, no lugar de Airas, São João de Ver, junto às ruínas da Quinta da Fonte Nova, localização que lhe conferia uma importância logística e social elevada nos séculos passados.
sábado, 4 de abril de 2026
Ecovia do Ave
quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
Minas do Pejão - Castelo de Paiva
O antigo Couto Mineiro do Pejão foi um dos maiores complexos de extração mineira do país e chegou a ter cerca de 3000 trabalhadores. Era constituído pelas minas do Choupelo, Fojo e Germunde, estendendo-se pelas freguesias de Raiva, Pedorido e Paraíso, no concelho de Castelo de Paiva, numa extensão de aproximadamente 10 Km. É uma referência histórica, de memória colectiva, de valor social e cultural. O núcleo principal e mais rentável das minas situava-se na Quinta de Germunde, aqui, ao longo da encosta, existem vários edifícios ligados por rampas e escadas em direcção ao rio Douro. É um espaço gigantesco, com a lavraria, o poço, as galerias, as oficinas, os armazéns de materiais, os equipamentos de apoio social, o laboratório, a casa dos administradores, dos directores técnicos, o edifício onde existiu um hospital, o hangar de tratamento e ensilagem do carvão e até uma piscina, um campo de ténis e futebol.
Junto à foz do Arda encontra-se a Ponte Centenária de Pedorido, construída em 1893, para permitir a passagem de locomotivas e vagões da linha de caminho de ferro de bitola estreita que transportavam o carvão das minas até ao cais, para depois ser transbordado por barcos no rio Douro, conhecidos como "a Esquadra Negra do Pejão".O encerramento das minas, em 1994, ocorreu devido ao esgotamento das reservas de carvão, à pouca rentabilidade e às medidas políticas governamentais da União Europeia em reduzir a mineração, em detrimento de outros modelos energéticos menos poluentes para o ambiente. O fim da extração deste combustível fóssil originou uma grave crise económica e social numa região com poucas alternativas de emprego e difíceis acessibilidades.
N.B.: Este post não tem como objetivo a prática ou o incentivo de qualquer acto de vandalismo, furtos, ou invasão de propriedade privada. Pretende simplesmente fotografar e documentar locais com valor patrimonial que um dia já tiveram vida e que nos dias de hoje se encontram ao abandono. Como todas as instalações mineiras desactivadas, tenha cuidado com a presença de poços e não se aventure dentro da galeria subterrânea pois está por sua conta e risco. Alguns edifícios ameaçam ruir, não arrisque entrar nos mesmos. Não traga nada além de fotos.

























