quinta-feira, 19 de julho de 2018

Bairro do Quelho (Salzedas) - Tarouca






O Bairro do Quelho é um sítio desconhecido mas com uma riqueza histórica extraordinária. Quando lá entrei parece que recuei à época medieval. É quase certo que foi uma judiaria sefardita, com ruelas estreitas, labirínticas, de construções rurais com alpendres em madeira, na sua maioria de três pisos, servindo o primeiro para o abrigo dos animais e os restantes pisos para habitação e comércio. É de lamentar o estado de ruína do local, a falta de visão turística do Estado e a pouca vontade em adquirir aquele espaço ligando-o à Rede de Judiarias da Beira, daquela que foi das mais importantes comunidades da Península Ibérica durante a Idade Média.  

#rededejudiarias #valedovarosa #judeus #Tarouca #Salzedas

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Praia do Carvalhal (Brejão - São Teotónio) - Odemira






Enquadrada num vale do Parque Natural da Costa Vicentina, a praia do Carvalhal é ladeada por altas arribas de xisto que a protegem e é recortada pela Ribeira do Barranco do Carvalhal que a atravessa,  onde os mais pequenos podem tomar banho quando as investidas do mar são mais violentas. A sua forma é semelhante à praia da Zambujeira do Mar, que se situa poucos quilómetros a norte, uma baía de grande extensão de areia e de águas límpidas. Também é confundida com a outra do mesmo nome, no concelho de Grândola. 







quinta-feira, 26 de abril de 2018

Praia do Rodanho - (Vila Nova de Anha) Viana do Castelo








Se existem praias de uma beleza natural invulgar esta é uma delas. Estendo-se por dois quilómetros, a quase selvagem Praia do Rodanho tem uma das dunas de maior altitude do norte de Portugal, protegida por longos percursos entre passadiços de madeira, dos quais é possível apreciar a fauna e flora. Aqui desagua a ribeira da Anha que contribui para valores ambientais únicos. Com a recente criação da Ecovia do Litoral Norte, a criação de uma rede de circuitos cicláveis e pedonais, tornou acessível esta praia nomeadamente a quem procura sossego sem descuidar a oferta ambiental e turística.

domingo, 8 de abril de 2018

Mafómedes (Baião)













Há muitos anos que tinha o desejo de conhecer Mafómedes, a aldeia mais remota do distrito do Porto, isolada na serra do Marão. Só em 2008 ganhou uma estrada, construída por cima daquele caminho de terra, sinuoso e esburacado que a ligava ao concelho de Baião. Foi também graças a Jorge Sampaio que a aldeia ficou no mapa, pois em visita ao lugar conheceu duas gémeas de 10 anos com bom aproveitamento escolar, mas cujos pais, por dificuldades económicas e de acesso, as impediam de continuar a estudar. O então presidente da República da altura convenceu os pais das crianças a deixarem-nas regressar à escola e prontificou-se a mudar o cenário dos habitantes locais. Fiz-me então ao caminho para ver as "150 cabras, 14 cães, 4 vacas, 23 pessoas" e a Tasca do Valado, restaurante de qualidade, erguido por alguém - o verdadeiro empreendedor - que não teve medo de apostar no turismo e restauração, neste paraíso longínquo. A maior parte dos habitantes dedica-se à pastorícia e a uma agricultura familiar de subsistência.
#mafomedes #tascadovalado #baiao #serradomarao




quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Lama de Arcos (Chaves)

                                 Ao fundo, a Igreja "espanhola"

                                Vista da aldeia com a Igreja portuguesa à esquerda




                                A norte da caleira seria território espanhol


Também chamada de Lamadarcos, esta aldeia tem uma particularidade que a distingue de todas as outras do país: tem duas igrejas, uma "espanhola", por antigamente ficar do lado espanhol da aldeia, e a portuguesa, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, de sabor românico tardio. A explicação é simples, a sua história está ligada às antigas aldeias promíscuas, divididas ao meio pela fronteira raiana, a extinta república do Couto Misto (Mixto). Um local com leis próprias, independente de Portugal e Espanha, apesar de estar dentro dos seus territórios, em que cada cidadão podia optar pela nacionalidade que quisesse, se quisesse, em que não se cumpria serviço militar, não se usava documentos de identificação pessoal e as transacções comerciais eram feita sem pagar impostos. O Tratado de Lisboa, de 1864, definiu as fronteiras e aboliu o "reino maravilhoso": Tourém (Montalegre), Lama de Arcos, Cambedo e Soutelinho da Raia (Chaves); Rubiás, Meaus e Santiago (Galiza).

http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2015-10-18-Republica-do-Couto-Misto-uma-uniao-entre-Portugal-e-Espanha





sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Arnal (Vila Marim) - Vila Real




A cerca de dez quilómetros de Vila Real chega-se literalmente ao fim do mundo transmontano, uma estrada que acaba no Arnal para quem venha da capital do distrito ou de Mondim de Basto. Mesmo com o despovoamento, Arnal não perde o encanto das suas casas em granito. Situada na Serra do Alvão, isolada por vezes devido à neve ou o nevoeiro, pode-se dizer que o seu maior atractivo é a paisagem agreste e caótica, a chamada catedral granítica, que do alto, vai observado as cabras e as vacas de raça maronesa pintando o cenário bucólico.  


terça-feira, 12 de setembro de 2017

Gralheira (Cinfães)





Encravada entre os concelhos de Cinfães, Castro Daire e Resende, em plena Serra de Montemuro, a aldeia da Gralheira é conhecida como a "Princesa da Serra". Nem sempre foi assim, a Gralheira, que provem da palavra "agreste", faz jus ao nome pois sofre de interioridade e do facto de situar-se a cerca de 1100 metros de altitude. Os invernos rigorosos e as quedas de neve dificultam a vida da população, mas são ultrapassados pela paisagem deslumbrante, pelo ar puro e as águas cristalinas, pela tranquilidade e sossego que não existe nas grandes cidades. Ainda é possível vislumbrar algumas casas típicas construídas com granito e cobertas de colmo.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Praia Urbana de Santo Tirso






Confesso que quando ouvi a notícia de construir uma praia urbana em Santo Tirso, junto ao rio Ave - uma dos mais poluídos da Europa -, fiquei petrificado. Afinal, a notícia era alarmista e incompleta, mas só sosseguei quando fui ao local e vi a barreira física constituída pelo passadiço que separa os 10 mil metros quadrados de praia das margens do rio. Uma ideia que nasceu na cabeça de quatro jovens de uma escola do concelho inspirados nas praias urbanas de Lisboa, Madrid e Paris. Apesar de não haver banhos, é uma fantástica zona de lazer durante a época de Verão pois tem relva, areia, guarda-sóis gratuitos, serviço de bar e aquilo que para mim faz a diferença: inúmeros pulverizadores de água que refrescam continuamente o corpo e fazem as delícias dos miúdos mas também dos graúdos. Uma experiência diferente, a 30 quilómetros do mar.  

domingo, 30 de julho de 2017

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Cascata do Ribeiro dos Cadeados







Encravada entre a Serra das Banjas e da Boneca, entre os concelhos de Gondomar (Vilarinho) e Penafiel (Rio Mau), a Cascata do Ribeiro dos Cadeados, afluente do Rio Mau, não faz parte dos roteiros turísticos do país. Talvez por ser possível lá chegar somente a pé por um trilho não homologado, só uma pequena minoria conhece este paraíso que se situa na área metropolitana do Porto. Um segredo que deve fazer parte do recém criado Parque Serras do Porto num contexto de valorização da paisagem que promova benefícios para a deprimida comunidade local.

Acessos: Chegando a Melres (Gondomar) pela EN108, virar para Vilarinho até chegar à rua Vale Travessos. Estacionar o carro quando vir uma estrada em terra e percorrê-la a pé até encontrar uma placa que diz "Caminho do Poço Negro". À sua esquerda encontra uma bifurcação onde deve seguir pelo caminho da direita (vê os contornos da Serra da Boneca e das eólicas). Percorrer esse caminho até ao final onde vai chegar a uma clareira. A partir daqui começa o trilho, sempre a descer até ao Rio Mau (estamos a grande altitude, não vá com crianças nem se debruce sobre os miradouros naturais pois não existem protecções). Não efectue este trajecto no Inverno, em épocas de chuva devido ao caudal do rio que submerge o trilho (a partir de um moinho em ruínas, existem uma setas pintadas na rocha que apontam ao destino mas o segredo é manter-se sempre na margem direita até encontrar a confluência com a Ribeira dos Cadeados. Aqui existe uma ponte feita de pequenos troncos. Atravessando esta e mais outra chegará ao destino (3ª foto). Não se confunda. Quando chegar ao tal "moinho" existe também outro trilho que vai dar ao Poço Negro. As setas também apontam para aí e também existe uma pequena ponte mas a diferença é que vai pela margem esquerda para jusante. Quando voltei da cascata também percorri esse trilho mas lembre-se que tem que regressar sempre ao moinho em ruínas.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Pereira (Montemor-o-Velho)




É o centro histórico da Vila de Pereira que surpreende o visitante devido ao seu passado nobre. D. Dinis concedeu-lhe foral em 1282 e foi propriedade dos duques de Aveiro. Com o episódio da tentativa de assassinato do Rei D. José, em 1758, escândalo que ficou conhecido como Processo dos Távoras, Pereira consegui preservar alguns edifícios que escaparam à vingança régia: o Celeiro dos Duques de Aveiro, a Igreja da Misericórdia, o antigo Hospital e a Igreja Matriz de Santo Estevão.
No extremo da freguesia situa-se a Reserva Natural do Paul de Arzila, zona baixa e húmida com uma área de 535 hectares, sendo atravessada por três valas: a Vala da Costa, a Vala dos Moinhos e a Vala do Meio.



segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Lapa de Santa Margarida



Em plena serra da Arrábida, na encosta Sul, entre a Praia de Alpertuche e o Portinho, situa-se a Lapa de Santa Margarida. Descendo uma escadaria com cerca de 200 degraus, aparece uma pequena capela construída no século XVII, debaixo de um alpendre, apresentando três nichos destinados às imagens de Santa Margarida, Santo António e Nossa Senhora da Conceição. A gruta foi usada pelo Homem pré-histórico e já esteve coberta de estalactites e estalagmites, mas neste momento aquilo que resta é  a sua abertura sobre o mar.
 
Acessos: a partir do Portinho da Arrábida, procurar o lar de férias da Casa do Gaiato. Do lado oposto existe um pequeno caminho particular de acesso a uma propriedade privada com o nome "Casal de Stª Margarida" e do lado esquerdo aparece o início do trilho no meio da vegetação que avança em direcção ao mar.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Praia de Vale Furado (Alcobaça)

 
 
A pequena povoação de Vale Furado tem do cimo das arribas uma paisagem irrepreensível, e lá em baixo,  118 degraus depois, perdida entre falésias corroídas pela erosão dos ventos, surge a extensa praia com cerca de 1,5 km. Apesar de não ter vigilância, comunicações móveis, nem praticamente nenhuma infraestrutura, a praia de Vale Furado é dona de uma beleza estonteante, com diversas nascentes de água doce.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Praia da Formosa (Santa Cruz) - Torres Vedras

                                                        (foto: Eduardo Martinho)

Os toldos às riscas vermelhos juntamente com os bancos em pedra são a imagem desta praia, uma continuação a sul do extenso areal de Santa Cruz. Aqui, o mar não é tão bravio nem tem aquelas fortes correntes características da zona. Por outro lado, as escarpadas arribas protegem os banhistas das nortadas frias. Junto à Rampa dos Crocodilos, forma-se uma piscina natural indicada para os banhos de mar dos mais pequenos, nesta praia galardoada com a Bandeira Azul.

domingo, 10 de julho de 2016

Praia fluvial do Pego - Penha Garcia (Idanha-a-Nova)



Mergulhar numa piscina rodeado por estratos fósseis com cerca de 480 milhões de anos não é muito comum. As águas da barragem de Penha Garcia que retêm o Rio Pônsul alimentam o açude, outrora um mar pouco profundo que banhava a região. Abaixo do paredão da barragem existem velhos moinhos de rodizios, daqueles que fizeram parte do maior conjunto de unidades moageiras do concelho. A região foi classificada como Biótopo da Serra de Penha Garcia e engloba o território do Geoparque Naturtejo.




N. B. - Quem trouxer crianças, não aconselho a deslocar-se à praia pelo percurso pedestre PR3 "Rota dos Fósseis", nomeadamente o caminho que vai da encosta do Castelo ao paredão da barragem. A alternativa é procurar o Centro de Dia  e percorrer a Av. Joaquim Mourão Lopes Dias até ao final, seguindo depois a pé.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Amieiro (Alijó)




Para Setembro de 2016 está previsto o funcionamento da Barragem Foz Tua. Alijó, onde situa a aldeia de Amieiro, é um dos concelhos onde a paisagem e o rio Tua se vão transformar num lago artificial com 420 hectares.
A aldeia não vai ser submergida mas parte dos seus terrenos não vão escapar em nome do progresso.
Para já, ainda é possível ver o seu casario disposto em presépio na vertente da montanha. Do seu património destaca-se a Igreja Matriz dedicada a Santa Luzia, a Capela de Nª Sra. da Conceição e a Fonte de Santo António. Existem ainda vestígios de um antigo teleférico que antigamente fazia a travessia de pessoas para a outra margem do rio, indo apanhar o comboio à Estação de Santa Luzia.
De realçar ainda o Miradouro das Fragas que permite avistar o vale do Tua, com toda a agressividade granítica que nos impressiona e fascina. Aqui terá existido um castro de defesa natural.
Os seus férteis terrenos, protegidos dos ventos norte e nordeste, propiciam o cultivo do vinho, azeite, laranja e produtos hortícolas.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Trebilhadouro - Vale de Cambra









A 625 metros de altitude, encaixada nos socalcos da Serra da Freita, a aldeia de Trebilhadouro mantém a tradicional casa rural portuguesa em pedra granítica, material que se estende aos caminhos. Décadas depois, volta a ver habitantes graças a um projecto de turismo rural que recuperou a aldeia e após ter ganho alguma visibilidade devido ao Festival Internacional de Artes e Culturas que aí decorre. Abrigada dos ventos que sopram do Norte, a paisagem é verde, rodeada de espigueiros, eiras e campos de cultivo a fazer lembrar outros tempos em que se viviam intensamente as desfolhadas.
Reza a lenda que ali foram encontradas três bilhas de ouro e essa descoberta, na linguagem popular, viria a dar origem ao topónimo Trebilhadouro. Também o espírito comunitário está patente em equipamentos como o recuperado tanque público e a fonte. A cerca de 1 km da aldeia encontram-se as gravuras de Trebilhadouro num afloramento granítico junto ao solo, ao lado de um pequeno afluente da ribeira de Fuste. Os motivos gravados incluem espirais (que chegam a ter mais de 60 cm de diâmetro), covinhas (muito numerosas e em toda a superfície), linhas (pelo menos quatro) e armas (provavelmente um machado de pedra).