domingo, 21 de junho de 2009

Moinhos de Alburrica (Barreiro)


Elevado a cidade a 28 de Junho de 1984, o Barreiro é cúmplice do Tejo e ninguém retratou o facto melhor do que o pintor Silva Porto.
Aqui se instalaram muitos moinhos de vento e de marés, para aproveitar a generosa energia dos elementos. Alguns destes moinhos ainda fazem parte do património do concelho. É o caso dos três moinhos de vento de Alburrica, edificados em 1852.
O maior ou Gigante, o central ou Poente e o último, o Nascente. Os Moinhos Nascente e Poente de tipologia comum, possuem torre cilíndrica de dois pisos, cobertura móvel e duas mós. São desactivados em 1950 e adquiridos pela Câmara Municipal em 1973. O Moinho Poente ostenta um registo votivo em azulejo dedicado a Nª Sª do Rosário.
O Moinho Gigante de tipologia holandesa foi desactivado em 1919 sendo habitado por pescadores até 1998 quando passa a Património Municipal.

Como outrora, o Barreiro mantém uma aprazível ligação às águas vastas e sossegadas do rio, fazendo parte do conjunto composto por terras de Lisboa e da "outra banda", desde há séculos indissociável numa composição magnífica entre as maravilhas da natureza e o labor dos homens.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Monção





Monção situa-se entre dois fenómenos geográficos distintos, o extenso e fértil vale do rio Minho e as escarpadas montanhas, sendo no sentido transversal, cortado por uma série de rios, ribeiros, riachos, que fertilizam a sua terra e permitem a ocupação a meia encosta. Ora, se os vales são propícios para a prática de agricultura também os terrenos de alta montanha são os ideais para a prática da pastorícia, não sendo então raros os vestígios de ocupação um pouco por todo o lado.
Deu-la-Deu Martins é um afigura lendária da história local, à qual está atribuído o feito de ter ludibriado os castelhanos numa altura em que estes impunham um cerco à vila, durante as guerras fernandinas. Para tal ter-lhes-ia lançado pães feitos com a farinha (pouca) que restava em Monção, gritando-lhes a frase “Deus lo deu, Deus lo há
dado".

Também a Festa do Corpo de Deus (festas municipais) motivam um grande interesse em todo o concelho. Tal como na Idade Média, seguem em cortejo o Boi Bento, de cornos envernizados e enfeitados de flores e fitas, o Carro das Ervas, engalanado de verdura e cheio de anjinhos, S. Jorge, fulgurante cavaleiro medieval e, a Coca, monstro que simboliza o mal. Depois da procissão, S. Jorge defronta a Coca num renhido torneio, cujas peripécias entusiasmam a multidão.
Das muralhas medievais de Monção, construídas no tempo de D. Dinis (1305 a 1308), resta apenas um trecho junto ao passeio dos Néris.As actuais muralhas resultam de uma modificação ocorrida no começo do século XVIII. São consideradas Monumento Nacional pelo decreto de 16-06-1910, tendo sido rompidas em três lados: para assento da via-férrea, para a abertura da estrada das Caldas e para a construção da estrada em direcção a Melgaço.
Na vila é de destacar a Igreja Matriz, uma igreja fundada no reinado de D. Dinis no século XIII. Com influências da arquitectura religiosa gótica, manuelina, maneirista e barroca, o seu pórtico – de estilo românico – é digno de ser admirado. No seu interior, a Capela de S. Sebastião – notável pelo seu estilo gótico – possui o jazigo de Vasco Marinho, seu fundador, secretário e confessor do papa Leão X.

O concelho de Monção oferece um vasto cardápio de paladar caseiro e gostoso que compreende, entre outros manjares, o arroz de lampreia do rio Minho, o sável e o salmão, geralmente servidos grelhados ou em caldeirada, o cabrito assado à moda de Monção, conhecido como a “Foda à Monção” e, na doçaria, as delicias conventuais das “barriguinhas de freira” e os populares papudos e roscas. O Vinho Alvarinho, nascido na Sub-Região de Monção, é personalizado e distingue-se dos demais pelo seu equilíbrio, de cor citrina, paladar leve e fresco, aroma frutado, característico e ímpar, cheio de boca, e de agradável e persistente pós de boca, sendo, pela sua originalidade, um dos melhores vinhos do mundo.

sábado, 13 de junho de 2009

Igreja e Convento Stº António dos Capuchos (Monção)




Ao longo da sua história, o Convento de Santo António (mais tarde denominado Convento dos Capuchos) foi objecto de várias adaptações e reconstruções que explicam não só os aspectos arquitectónicos peculiares, como as invulgares pinturas e inscrições aparentemente anacrónicas. Desde 1746 que se encontram referências documentais ao Convento dos Capuchos dedicado a Santo António, padroeiro dos religiosos Capuchos. O edifício apresenta características próprias do Século XVI, nomeadamente no seu claustro, bastante anterior à própria Igreja dos Capuchos (1769). O claustro, de planta quadrangular, pertenceu a outro Convento, o de São Francisco, fundado em 1563 por Freiras Franciscanas, e abandonado em meados do Século XVIII.
Após quase um século de utilização monástica, o Decreto Régio de 1834 extingue a ordem religiosa os Religiosos de Santo António da Província de Monção.
Desde então o edifício desempenhou várias funções, públicas e privadas, tendo sido utilizado, nomeadamente como escola e tribunal, além, naturalmente de habitação familiar.
A intervenção e adaptação do Convento dos Capuchos em Hotel caracterizou-se por uma pacífica convivência entre o antigo, preexistente, e o moderno, construído de novo, procurando respeitar e dar ênfase ao documento histórico e patrimonial que o Convento dos Capuchos representa.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Pêgo da Rainha (Mação)

Foto de Fernando Flores

É na freguesia de Envendos que se situa uma pequena aldeia chamada Zimbreira com apenas 37 habitantes que faz as delícias dos visitantes. A sua queda de água e a pequena lagoa que se forma leva a que seja um dos espaços mais agradáveis para passear e banhos nas tardes quentes do ano. Naquele vale, onde as rochas de quartzo emolduram o local e os acessos são feitos através de estradas de terra batida pouco apetecíveis, os solavancos são desconfortáveis.
Na parte de cima da cascata, à beira do regato e debaixo da sombra fresca oferecida pelos plátanos, estão mesas compridas em madeira. São dos poucos sinais da presença humana. Para se chegar lá, não existem escadas mas rochas esculpidas pelos pés do homem que vão tomando a forma de acesso. A água brota das rochas e pode-se beber.
Já durante o ano de 2002 foram encontrados nas proximidades deste local algumas pinturas atribuídas ao período neolítico.

Como chegar: O melhor acesso rodoviário vindo de Lisboa, do Porto ou do litoral será pela A23, saindo da autoestrada na saída para Envendos. Chegando a Envendos, junto à Igreja, segue-se a placa que diz Zimbreira.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Palácio da Pena (Sintra)



Sonho concretizado de D.Fernando II, a quem chamaram Rei-Artista, homem de visão plurifacetada, amador e coleccionador das artes e admirador da história e cultura portuguesas, o Palácio Nacional da Pena é a expressão arquitectónica dos ideais românticos, numa clara homenagem a um património de diferentes épocas, um espaço multifacetado, que se tornou, e também através das suas colecções, um repositório de épocas, estilos e gostos.
Edificado a cerca de 500 metros de altitude, remonta a 1839, quando o rei consorte D. Fernando II de Saxe Coburgo-Gotha (1816-1885), adquiriu as ruínas do Mosteiro Jerónimo de Nossa Senhora da Pena e iniciou a sua adaptação a palacete. Para dirigir as obras, chamou o Barão de Eschwege, que se inspirou nos palácios da Baviera para construir este notável edifício. O rei consorte adoptou para o palácio formas arquitectónicas e decorativas portuguesas, ao gosto revivalista (neo-gótico, neo-manuelino, neo-islâmico, neo-renascentista) imbuído do espírito Wagneriano dos castelos Schinkel do centro da Europa e na envolvência decidiu fazer um magnífico parque à inglesa, com as mais variadas espécies arbóreas exóticas.
No interior, ainda decorado ao gosto dos reis que aí viveram, destaca-se a capela, onde se pode ver um magnífico retábulo em mármore alabastro atribuído a Nicolau Chanterenne (um dos arquitectos do Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa). Merece referência também as pinturas murais em trompe l’oeil e os revestimentos em azulejo.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Praia da Adraga (Sintra)



Agreste, selvagem, de um azul intenso..... simplesmente bela. O local é de uma beleza invulgar, conjugando o ambiente de montanha com o de praia.
Foi assim que a Praia da Adraga foi adjectivada por um dos jornais de referência do Reino Unido – o “Sunday Times” – , que elaborou um “ranking” das melhores praias da Europa.
Nesse ranking, realizado com base numa sondagem junto de turistas ingleses (conhecidos por serem grandes viajantes e, ainda por cima, muito exigentes), a Praia da Adraga surge em 3º lugar. Ou seja, a Adraga é, portanto, a terceira melhor praia da Europa.
O acesso à Praia é bastante sinuoso e só pode fazer-se de automóvel, através de uma estrada que desce entre montanhas, deixando a dúvida se realmente nos estamos a dirigir para uma praia. Mas, alguns minutos depois de passar Colares e Almoçageme, é com algum fascínio que, entre dois enormes montes, surge o azul do mar da Adraga. Um crescente de areia, encaixado entre altas arribas e o magnífico oceano Atlântico, esta praia pode ser selvagem e maravilhosa, oferecendo ainda excelentes condições para a prática do surf.
É, no entanto, extremamente frequentada, havendo mesmo dificuldades em termos de estacionamento, o que se ultrapassa com uma boa dose de paciência. Contudo, esta será uma boa altura para visitar este paraíso na terra, já que a maior afluência se verifica no Verão. Situada entre falésias, tem um mar considerado perigoso devido às suas correntes, no entanto por estar protegida pelas arribas não está tão exposta às fortes rajadas de vento, normais nesta área.

domingo, 31 de maio de 2009

Pedra da Ursa (Sintra)



A Pedra da Ursa, bem como as outras ilhotas rochosas sobranceiras a esta praia são calcários jurássicos.
Os mais desatentos nem dão por ela, mas na estrada para o Cabo da Roca, uma velha placa de pedra indica o caminho de terra para a Ursa. A estrada, cheia de buracos e pedras pontiagudas, é um primeiro aviso para o que vem a seguir. Protegida por altas falésias e um acesso perigoso o suficiente para a manter a salvo de grandes enchentes, a Ursa é um verdadeiro tesouro para quem gosta de sossego e isolamento, impossível de conseguir nas praias vizinhas de Sintra e de Cascais. A estrada de terra termina num local ermo com vista para o mar e para chegar ao areal, desde o alto, é ainda necessário caminhar cerca de dois quilómetros, pelas estreitas e escorregadias veredas que sulcam a encosta. O percurso demora cerca de uma hora, a que se acrescentam mais 90 minutos para o regresso, porque a subir custa mais. Aconselha-se o uso de calçado desportivo, bem como bastante cautela nos troços com pedras soltas. Uma vez chegados lá abaixo, a vista é assombrosa, com as colossais pedras da Ursa e Gigante, dois enormes monolitos naturais que se erguem do mar, a dominarem toda a paisagem. Durante a maré baixa, é possível explorar as enseadas da Palaia (a sul) e a do Pesqueiro do Abrigo (a norte). Entre elas, estende-se um areal com cerca de 50 metros, quase só frequentado por pescadores à linha e adeptos do naturismo.
Uma lenda conta que há muitos milhares de anos, quando a terra estava coberta de gelo, aqui vivia uma ursa e seus filhotes. Quando o degelo começou, os Deuses avisaram todos os animais para abandonarem a beira-mar, mas a ursa, teimosa, recusou-se pois ali tinha nascido e ali queria ficar. Os Deuses enfurecidos transformaram a ursa em pedra e os seus filhotes em pequenos calhaus dispersos à volta da mãe e ali ficaram para sempre dando assim o nome à praia.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Parque de Monserrate (Sintra)



O Parque de Monserrate constitui um dos mais notáveis exemplos de jardins românticos em Portugal, fruto das contribuições dos seus proprietários e arrendatários que, desde os finais do século XVIII, o foram enriquecendo sucessivamente.
Os primeiros registos de Monserrate remontam a cerca de 10 séculos atrás, época da ocupação muçulmana da Península Ibérica. Já em meados do século XVI, a propriedade pertencia ao Hospital de Todos-os-Santos, em Lisboa, cujo reitor, o abade Gaspar Preto, se deixou encantar pela virgem negra de Monserrate, na Catalunha. Então, mandou fazer uma estátua da santa e erigir uma pequena capela para albergá-la, no lugar onde está hoje o Palácio.
Em 1856 a quinta de Monserrate é comprada à família Mello e Castro por Francis Cook, um milionário inglês, comerciante de têxteis que manda refazer o palácio, agora ao gosto neo-mourisco, e que cria um notável jardim paisagístico, inspirado pelo romantismo inglês.
Todo o edifício consiste numa delicada obra de arte: desde os relevos das paredes aos preciosos painéis de alabastro, passando pela engenhosa escadaria até às abóbadas “rendilhadas”, por detrás das quais eram colocados painéis coloridos para criar jogos cromáticos a partir da luz do sol. A construção é perfeitamente simétrica e milimetricamente alinhada com os pontos cardeais; de tal forma que, mesmo em pleno inverno, não era necessário aos seus habitantes o recurso ao sofisticado sistema de aquecimento central.
Monserrate oferece-nos hoje a possibilidade de fruição de um ambiente característico de um jardim romântico à inglesa, para além da contemplação de um património arquitectónico de referência e o conhecimento de inúmeras espécies botânicas de grande notoriedade.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Quinta da Regaleira (Sintra)



O Palácio da Quinta da Regaleira foi construído no início do séc. XX pelo milionário António Augusto Carvalho Monteiro (1848-1920) que aqui conseguiu concretizar um dos seus sonhos, com a ajuda do arquitecto cenógrafo Luigi Manini (1848-1936), responsável também pelo Palácio do Buçaco. Envolvido por uma vegetação luxuriante, o Palácio da Regaleira é uma descoberta fascinante.
O Palácio foi construído em estilo romântico revivalista recuperando formas arquitectónicas e decorativas góticas, manuelinas e renascentistas, misturadas com simbologia mítica e esotérica. Está rodeado de jardins românticos, fontes e grutas ricamente adornadas escavadas na terra, que se cruzam com riachos e minas de água. Porém, o complexo sistema de túneis que nos leva ao Poço Iniciático e termina na espectacular cascata é sem dúvida o ponto mais interessante da Quinta.
Lembra-se do Indiana Jones em busca do Templo Perdido? Vem a propósito, porque a porta do Poço Iniciático é na verdade uma grossa fatia de parede circular que gira sobre si mesma para nos revelar a entrada do local. São 27 metros de profundidade que terminam num bonito chão de mosaico, o qual tem uma estrela de oito pontas gravada, a estrela dos Templários. As paredes exteriores do Poço são de pedra e encontram-se cobertas de musgo que se enrolam em espiral até ao fundo, pois são 135 degraus e nove lanços de 15 degraus cada.
O cunho maçónico não é consensual, e até os próprios guias admitem outras interpretações para os sinais que se encontram, que têm diversos significados também no mundo cristão e isotérico.


domingo, 24 de maio de 2009

Azenhas do Mar (Sintra)


Verdadeira obra-prima da arquitectura popular, esta aldeia estende-se em socalcos pela arriba acima. O casario, quase todo pintado de branco, enquadra uma pequena baía onde foi construída uma piscina oceânica escavada na rocha. É uma povoação muito antiga, cujas origens se perdem na memória dos tempos. Datam provavelmente do período da ocupação Árabe os primeiros moinhos de água, as populares Azenhas, que deram nome à povoação. O Miradouro das Azenhas do Mar está construído sobre arribas que descem sem medo até ao Oceano. É um local muito frequentado tanto no Verão como no Inverno, pela grandiosidade da vista que proporciona. Ali, pode apreciar-se o Oceano Atlântico em todo o seu esplendor apesar de o seu areal não ultrapassar os 30 metros, e mesmo esses escassos metros dependem muito do Inverno, pois é ele que determina a extensão do areal todos os anos.

sábado, 23 de maio de 2009

Cidadela de Cascais


Em finais do século XV foi mandada construir por D. João II uma torre, que tornasse mais eficaz a defesa de Lisboa e respondesse aos desmandos da pirataria. Esta foi ampliada para uma fortaleza nos finais do século XVII e reconstruída após o terramoto de 1755 para proteger a enseada de Cascais. Em 1871 D. Luís adaptou a parte da cidadela a residência de Verão da família real, passando, em 1963, a residência de Verão do presidente da República. No interior do forte existe ainda a capela de Nossa Senhora da Vitória. Aqui está também instalado o núcleo principal do Museu Municipal de Cascais e um pequeno museu de artilharia ao ar livre.
O conjunto da Cidadela de Cascais, incluindo o Forte de Nossa Senhora da Luz, a Torre de Santo António de Cascais, e toda a parte fortificada que está compreendida entre a Ponta do Salmodo e o Clube Naval de Cascais, encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Penela


Etimologicamente, o termo Penela, é, segundo o antiquário Santa Rosa de Viterbo, diminutivo de Peña, Pena ou penha, e significava na Baixa Latinidade, o cabeço, monte ou rochedo.
À História de Penela crê-se estarem ainda associadas as passagens sucessivas dos Vândalos, destruidores da fortaleza construída pelos Romanos; dos Mouros, que tomaram o Castelo de Penela no séc. VIII e das tropas de Fernando Magno (Rei de Leão), tendo a fortificação ficado sob o poder do Conde D. Sesnando, primeiro Governador de Coimbra (depois da Reconquista em 1064), a quem se deve a construção de um forte castelo medieval no interior da fortaleza moura já existente.
O Castelo de Penela, ergue-se sobre um penhasco e é, depois do de Montemor-o-Velho, o mais amplo e forte que resta da linha defensiva do Mondego.Tendo em atenção estudos feitos aos vestígios existentes, é de crer que na origem do Castelo de Penela estivesse um Castro lusitano posteriormente aproveitado pelos Romanos aquando da sua conquista, no século I A. C.
A Igreja de S.Miguel, situada no seu interior, é já o resultado de obras da segunda metade do século XV. Mas o casco medieval de Penela também merece uma visita: por entre o casario pode descobrir-se o Pelourinho Manuelino e a Igreja Renascentista de Stª Eufémia ou o belíssimo Largo da Misericórdia com a sua Igreja. Em Setembro, por ocasião da Feira de S. Miguel, compram-se nozes e mel. Mas na Primavera o queijo do Rabaçal fica, como diria Eça de Queirós, redondo e divino. As tibornadas acompanhadas de um óptimo vinho das Terras de Sicó devem também entrar na ementa.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Forca de Freixiel (Vila Flor)



Na freguesia de Freixiel, conserva-se ainda hoje a insólita, mas historicamente muito importante, silhueta da antiga forca, vestígio aparentemente único na Península Ibérica. Está implantada numa pequena elevação nos arredores da localidade, na vizinhança do campo onde, segundo a tradição, seriam sepultados os enforcados, a quem estaria vedado o enterramento em solo consagrado. O monumento é constituído pelos dois pilares verticais que sustentariam um elemento horizontal, sendo estes formados por blocos de granito toscamente aparelhados, com cerca de 3 metros de altura, rematados por singelos cones. O elemento horizontal em falta era geralmente a trave de suspensão do laço, embora a presente forca seja provavelmente de garrote. De facto, a distância a que os orifícios do topo ficam, quer do solo, quer do estrado de madeira que supostamente completaria o conjunto (conforme marcas de desbaste na base dos pilares), é insuficiente para o estrangulamento por suspensão. O estrangulamento por garrote foi, de resto, muito usado em toda a Península desde a Idade Média.

Acessos: EN 314 de Vila Flor para Abreiro, cruzamento à esquerda para Freixiel. A forca fica fora da aldeia, numa pequena colina atrás da igreja.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Alpedrinha (Fundão)

"Sintra da Beira"

Quando se chega a terras beirãs, é um prazer seguir o caminho até Alpedrinha. A frescura da paisagem e a arquitectura granítica constroem um quadro tão característico que apetece guardar na memória por tempos e tempos. Por se situar a vila numa encosta da serra da Gardunha o ar é completamente puro. É de encher os pulmões vezes sem conta até chegar o cansaço proveniente de tal exercício.
De fundação pré-histórica, enquadrada entre pinheiros e pomares, a cerca de 500 metros de altitude, Alpedrinha foi posteriormente atravessada por uma via romana que ainda hoje lá se encontra. Vários achados arqueológicos (moedas, fragmentos de pedras) atestam a presença de povoamento romano na zona, então baptizada de "Petratinia".
Apresenta como pontos de interesse as Fontes da Fome e de Leão e o pelourinho, ou Lugar da forca, a antiga Casa da Câmara e diversas casas solarengas. O Monumental Chafariz de D. João V (imagem principal), ou Fonte das Sete Bicas, também é outro motivo de visita. Em granito, como não poderia deixar de ser, tem como remate uma coroa com as armas reais. Diz uma inscrição que foi construído “para felicidade da pátria”, já que as águas eram “explêndidas”. Diz-se que a da esquerda está destinada às crianças e solteiros, a do centro aos casados, e a da direita aos viúvos e bruxas. Diz-se também que quem prova desta água e não é da terra, voltará mais tarde a Alpedrinha. É uma questão de experimentar para saber se é verdade.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Ançã (Cantanhede)


De origens remotas, atribui-se a fundação do povoado original a oito monges italianos enviados pelo patriarca do Ocidente, S. Bento, no século VII.
Terra conhecida pela famosa pedra de Ançã, excelente para trabalhos artísticos, que se encontra nos mais importantes monumentos do País e do estrangeiro, foi utilizada desde a antiguidade por grande número de escultores. Pela vila passa a ribeira de Ançã, formada pelo caudal da grande nascente, denominada “Fonte de Ançã” que serviu durante séculos para o escoamento da pedra de Ançã até ao rio Mondego, e desde aí até ao mar, donde seguia em barcos para os diferentes destinos, no País e no Estrangeiro. O transporte inicial das pedreiras até à ribeira processava-se em carros de bois.
Nunca foi possível determinar com clareza a origem do bolo de Ançã, que acabou por se perder no tempo. Sabe-se apenas que o segredo foi transmitido de geração em geração, mantendo-se a fórmula baseada em ingredientes vulgares, como os ovos, a farinha, o açúcar e a margarina, e a necessidade de ser amassado à mão e cozido em forno a lenha, factores essenciais para garantir a sua qualidade. Os bolos de ovos, de cornos e o fino são as três variedades do bolo de Ançã que deliciam todos os anos os mais gulosos durante Feira do Bolo de Ançã.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Capela São Pedro de Balsemão (Lamego)


Perto das margens do Rio Balsemão, dentro de uma construção dos séculos XVII-XVIII, esconde-se um verdadeiro tesouro erguido por cristãos afoitos nos tempos em que o Corão era lei. A capela de São Pedro de Balsemão é um monumento tão relevante cientificamente quanto problemática é a sua cronologia e forma original.
Nos últimos cem anos, a historiografia divide-se em duas propostas cronológicas antagónicas: a época visigótica (séculos VI-VII) e a expansão do reino asturiano (séculos IX-X). Até ao momento, não foi possível confirmar qualquer destas sugestões.
De raro valor histórico e arqueológico, o templo, com três naves, possui duas peças do séc. XIV dignas de menção: uma escultura da Senhora do Ó esculpida em pedra de Ançã e o túmulo do Bispo do Porto D. Afonso Pires, esculpido em granito.
Quem lá entra transporta-se facilmente a um mundo distanciado e místico de que mal compreende os símbolos esculpidos nos capitéis ou nas enigmáticas figurações.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Monte São Félix (Póvoa de Varzim)


O monte de São Félix é o ponto mais elevado da serra de Rates, 202 m de altura, e situa-se na freguesia de Laúndos. Apesar da sua altura modesta, destaca-se na paisagem por ser uma elevação em frente a uma planície litoral. Ponto panorâmico privilegiado, daqui se pode observar toda a região e notar-se a sua diversidade marítima, campesiana e urbana.
O monte possui uma vista panorâmica sobre a cidade e as suas praias; a capela de São Félix; moinhos (alguns deles convertidos em residência de férias) e a Estalagem do mesmo. Não muito longe situa-se o Campo de Tiro de Rates.
Acredita-se que neste monte viveu outrora São Félix (o eremita), responsável por ter encontrado o corpo de São Pedro de Rates, primeiro bispo de Braga, que terá dado origem à igreja de São Pedro de Rates.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Ponte da Boutaca (Batalha)


A versão actual foi construída em 1862 em estilo neogótico constituindo um dos monumentos mais importantes da arquitectura revivalista manuelina. Existem no entanto dados que apontam para uma primeira construção nos séculos XV e XVI, da autoria do mestre Boytac, responsável por algumas obras do Mosteiro de Santa Maria da Vitória.
É a única ponte do país que ainda mantém as casas de portageiro, frequentes no passado para a cobrança da passagem. A edificação da ponte original está ligada à construção do mosteiro, tudo indicando que o respectivo projecto e direcção das obras seriam da responsabilidade dos mesmos arquitectos.
O tapete da ponte centenária – monumento nacional desde 1982 –, que antigamente integrou o traçado Estrada Real de D. Maria I e mais tarde da Estrada Nacional n.º1, tem uma via em cada sentido de trânsito e a circulação está limitada a veículos com menos de 19 toneladas.
Esta ponte foi recuperada recentemente no âmbito de um protocolo assinado entre a Câmara Municipal da Batalha e o Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR). Renasceu como espaço cultural ficando a edilidade a assumir as actividades de gestão corrente e de dinamização cultural, o que implicou a criação de um centro cultural de história e artesanato. Cada casa de portageiro tem uma vocação específica, direccionada para os diferentes escalões etários, mas com interligação entre todos os espaços. Haverá um espaço usado para a exposição de trabalhos infantis, outra terá artesãos, artistas e formadores afectos à Escola de Artes e Ofícios Tradicionais da Batalha. Está ainda contemplada a instalação de um mini-museu de carácter informativo e de um espaço juvenil para a prática de desenho, pintura, escultura e fotografia.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

São Pedro de Rates (Póvoa de Varzim)


A antiga povoação de São Pedro de Rates estava situada na confluência de vários eixos viários importantes desde o domínio romano, e fazia parte de um itinerário compostelano. Não se lhe conhece foral velho, mas era já concelho no século XIII, tendo recebido foral novo de D. Manuel em 1517. Foi extinto em 1836, e integrado na Póvoa de Varzim.
Do notável passado histórico de S. Pedro de Rates restam marcas assinaláveis: a Igreja Românica (século XI-XIII), monumento nacional e exemplar muito estudado do românico português; o Pelourinho, também monumento nacional, símbolo da antiga autonomia administrativa de Rates; a antiga Câmara (século XVIII), edifício de excepcional beleza arquitectónica; um conjunto de quatro capelas, construídas ao longo dos séculos XVII e XVIII, sendo de salientar, pela sua imponente arquitectura barroca, a do Senhor da Praça, sita no centro cívico da povoação e parte principal dum bem conservado centro histórico que se prolonga por toda a Rua Direita, onde tinham residência a fidalguia e a burguesia locais.
Realce ainda para o Ecomuseu que propõe aos visitantes um percurso pedonal de cerca de oito quilómetros e com oito estações. Uma viagem no tempo e no espaço onde a herança cultural e patrimonial desta região desfila perante os olhos do visitante. Um percurso polvilhado de edifícios históricos, igrejas, fontanários, lavadouros, caminhos rurais, casas de lavoura e até muros de xisto, onde se seguem os trilhos do pão, da água, do vinho e do linho.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Capela São Frutuoso de Montélios (Braga)


A pequena capela de São Frutuoso de Montélios deve a sua existência a São Frutuoso, bispo de Dume e Braga durante a época visigótica, que aqui escolheu ser sepultado no século VI. À sua volta existia um conjunto monástico bem maior, centro religioso da região neste período, mas que terá sucumbido muito provavelmente no início do século XVI quando se procederam às obras de reedificação do Mosteiro por parte dos franciscanos.
Único elemento de todo esse conjunto original que chegou até aos nossos dias, a Capela de São Frutuoso constitui um testemunho ímpar da Alta Idade Média em território português. O seu interior pode-se considerar como um verdadeiro exemplar da arquitectura islâmica. A primitiva edificação de época visigótica seguiu um modelo orientalizante (ravenaico-bizantino), vigente na capital do reino, Toledo: planta em cruz grega; exterior decorado com arcos cegos, alternadamente de volta perfeita e em mitra; torre quadrangular sobre o cruzeiro, com cobertura em quatro águas. É considerado o edifício mais bizantino de toda a Península Ibérica.



Acessos: EN 201, saída de Braga em direcção a Ponte de Lima; a capela está localizada em São Jerónimo de Real, Lugar de Montélios.