segunda-feira, 26 de abril de 2010

Festa das Cruzes (24 de Abril a 2 de Maio) - Barcelos

É inegável que as Festas das Cruzes são, entre as festas populares minhotas, as mais famosas e mais conhecidas, sendo por isso uma das romarias mais concorridas e típicas do Minho e um dos mais importantes acontecimentos da Vida de Barcelos.

A Sua origem remonta ao início do século XVI, onde no ano de 1504, sob o reinado de D. Manuel I, numa sexta-feira, dia 20 de Dezembro, por volta das 9 horas da manhã, quando o sapateiro João Pires regressava da missa da Ermida do Salvador, ao passar no campo da Feira, observou na terra, uma cruz de cor preta. Como não quis guardar só para si aquilo que considerou ser um sinal sagrado, alertou o povo que depressa veio ao local.
“A cruz apareceu sob a forma de uma nódoa negra que ia crescendo até se formar uma cruz perfeita em que a cor não ficava só à superfície mas penetrava em profundidade na terra – por mais que se cave, sempre se acha.” Este facto que recorda a “Cruz do Senhor Jesus”, fez nascer a devoção ao “Senhor da Cruz”. Primeiramente, surgiu um cruzeiro em pedra, logo em seguida uma ermida, para dois séculos mais tarde ser construído um magnífico templo, que hoje é o epicentro da Festa das Cruzes.





Até ao século XIX, as festas tinham essencialmente um cariz religioso; aí ocorriam centenas de romeiros, não só da região de Barcelos, mas de todo o país e da vizinha Galiza. No Século XX, à essência religiosa foram-se adicionando elementos de características profanas, bem visíveis no aspecto lúdico: carroceis, barracas de diversão, corridas de Cavalos, espectáculos de circo, fogo de artificio, cortejos etnográficos, torneios e concursos, entre muitos outros acontecimentos de natureza Popular. Tal como no passado, as Festas das Cruzes mantêm grande importância a nível económico, cultural e social, e por isso continua a despertar o interesse e a curiosidade de muitos visitantes, especialmente de espanhóis.
A integração das comemorações do 25 de Abril é uma das grandes novidades do programa deste ano pois nunca antes a Revolução dos Cravos foi assinalada de forma oficial pelo Município. A maior atracção da Festa das Cruzes, os tapetes de pétalas de flores naturais, pode ser vista a partir de sexta-feira, dia 30. A procissão está marcada para segunda-feira, dia 3 de Maio, feriado municipal, em que estão representadas as 89 freguesias do concelho, o maior do país.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Santuário Endovélico Rocha da Mina - Alandroal


                           Foto de Ricardo Soares

Há milhares de anos atrás, em plena idade do ferro, as populações celtas que habitavam a região da Lusitânia prestavam culto a um misterioso deus pagão: o Endovelicus. Este era o deus de Viriato e dos seus companheiros. O culto a esta divindade prolongou-se pelo período romano.
Terá surgido no século II ou I a.c., no local hoje designado de "Rocha da Mina", junto à Ribeira de Lucifécit, um santuário rupestre implantado num esporão rochoso com vertentes abruptas de 12 metros e de área habitável extremamente reduzida. Os quatro degraus talhados na rocha terão sido o primitivo altar utilizado pelos celtas para a prática do culto ao seu deus, associado à luz, à fertilidade e à carne.

domingo, 11 de abril de 2010

Cabanais de Caçarelhos - Vimioso


Foto de Nair Moreno



Os Cabanais, feitos de granito, são um local de encontro e convívio das gentes da aldeia. Tornaram-se património cultural da aldeia pelo facto de ser uma construção que quase já não existe em todo o país. Os velhos cabanais onde os padeiros, doceiros e produtores de fumeiro tradicional se juntavam para vender as iguarias regionais e serviam para resguardar os comerciantes e almocreves. Além das trocas comerciais, eram servidas refeições. No dia 19 de cada mês efectua-se aqui a feira, e hoje, com a evolução dos tempos, são poucos os feirantes que mantêm esta tradição viva. Contudo, é de salientar o reviver desta movimentação com a realização anual da Feira do Pão no Domingo de Ramos, onde se tenta recordar e preservar os velhos costumes e tradição do uso deste espaço. Destaque ainda para a igreja e o cruzeiro setecentista.

sábado, 3 de abril de 2010

Semana Santa ( 28 de Março a 4 de Abril) - Sardoal



Pela altura da Páscoa, todas as Igrejas e Capelas do Sardoal estão enfeitadas com artísticos arranjos florais, feitos com verduras e pétalas de flores e, sobretudo, com a alma e a fé das gentes. Tradição popular que se julga ser única no país, remonta a tempos muito antigos, sabendo-se que já existia no século XIX, altura em que atingiu momentos de grande esplendor, factos confirmados pela leitura dos jornais da época.
As tarefas de decoração das Capelas têm lugar na noite de Quarta-feira e prolongam-se pela noite fora, envolvendo cristãos e não-cristãos, agnósticos, não-praticantes, jovens e gente de todas as idades que elaboram centenas de tapeçarias perfumadas.

Destaca-se ainda a Procissão dos Fogaréus, efectuada na Quinta-feira Santa, à luz de velas e archotes. A iluminação pública é desligada e pequenas lanternas iluminam as janelas e as varandas ao longo do percurso que a procissão percorre, num ambiente místico.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Semana Santa em Braga ( 24 de Março a 4 de Abril)



Bastião do cristianismo desde os primeiros séculos, é Braga a terra portuguesa que celebra a semana Santa com maior esplendor. Toda a cidade parece transfigurada pelas decorações alusivas à quadra pascal e os passos altares de rua enchem-se de luz, velas e flores, realizando com a sumptuosidade das igrejas. É a melhor altura para serem visitadas as muitas igrejas que se ornamentam convenientemente para que um descrente, como eu, as percorra. As suas imponentes procissões - a que se associam as autoridades eclesiásticas , civis e militares -, têm muito de diferente e tornam-se, por isso, verdadeiros cortejos de gala.
Braga conjuga, este ano, as tradicionais celebrações religiosas com uma forte componente cultural. Além dos eventos de pendor religioso, haverá concertos, exposições e um espectáculo de ballet.
A Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte de Portugal vai incluir a Semana Santa de Braga numa candidatura a fundos comunitários com vista à projecção internacional do turismo religioso.

sábado, 20 de março de 2010

Igreja Românica S. Gens de Boelhe (Penafiel)




Trata-se de uma igreja dos primeiros tempos da Monarquia, de arquitectura românica do final do século XII, e é geralmente atribuída a sua construção à rainha D. Mafalda de Sabóia, mulher de D. Afonso Henriques. Nesta Igreja românica, considerada a mais pequena de toda a Península Ibérica, é de realçar a qualidade patente na construção dos muros, nos quais é visível uma apreciável quantidade de siglas geométricas e alfabéticas. Na fachada norte, a cachorrada apresenta uma assinalável variedade de motivos que vão desde cabeças de touro até homens que transportam pedra.
Do adro da igreja, a nordeste, goza-se de belo ponto de vista sobre o rio Tâmega.

domingo, 14 de março de 2010

Quinta de Santo Inácio - V. N. de Gaia

Construído no séc . XXI, o zoo respeita as mais modernas determinações quanto a bem-estar animal ao mesmo tempo que convida o visitante a descobrir num meio aproximado ao habitat natural, os animais descontraídos e saudáveis. A colecção animal encontra-se dividida entre invertebrados, répteis, aves e mamíferos, num total de 200 espécies espalhadas por 12 hectares.
O parque engloba um insectário (mais de 40 espécies), um reptilário (mais de 30 espécies), aves de rapina e aves da floresta tropical, entre outros. Possui ainda parque infantil, zona de piqueniques, um bosque com dois hectares, um jardim romântico harmoniosamente florido, uma estufa tropical, uma quinta pedagógica e uma Casa-Museu do séc. XVIII que pode ser visitada. Os sons misturam-se no ar, dando origem a uma festa internacional de vozes animais, levando-nos a uma atmosfera idêntica à dos sonhos, fazendo com que possamos ser de novo crianças.










sexta-feira, 5 de março de 2010

Festival Internacional de Chocolate - 4 a 14 Março - Óbidos






O chocolate é um aliado do coração, recupera a forma física e mental e sobretudo faz disparar a molécula da felicidade e do prazer, se acreditarmos em alguns cientistas. Por isso, a oitava edição do Festival do Chocolate que começa em Óbidos promete ser a mais criativa de todas. A começar pelo tema "as Maravilhas do Mundo". Até ao dia 14 deste mês encontrará no interior da cerca do Castelo, cinco das sete mais belas obras arquitectónicas do mundo feitas em chocolate - O Coliseu de Roma, a Muralha da China, o Chichen Itza, o Taj Mahal e a cidade de Petra. A que este ano se junta uma escultura que homenageia a cidade de Guimarães, Capital Europeia da Cultura em 2012.
A Chocolaterapia volta a estar presente na edição de 2010, revelando ao visitante um conjunto de massagens com chocolate no corpo e rosto. Para os mais novos, haverá a Casa de Chocolate das Crianças, com jogos, pinturas, ateliês e até um minicurso de choco-gastronomia. Também alguns dos melhores Chefs portugueses de cozinha irão fazer demonstrações de pratos com chocolate, no local do evento, na Cerca do Castelo, e à noite vão estar nos restaurantes de Óbidos a confeccionar refeições.
Os pasteleiros portugueses vão poder exibir os seus dotes nos vários concursos que vão decorrer ao longo do festival. Entre os de melhor montra, melhor receita internacional e o de chocolatier do ano, destaca-se o de ourives de chocolate. Pela primeira vez os candidatos terão de construir um anel, uma pulseira e um colar feitos de chocolate e pastilhagem.
Ao longo dos 11 dias de festa, estima-se a utilização de 10 toneladas de chocolate.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Festa da Flor - 17 e 18 de Abril de 2010 - Funchal (Madeira)

Para mim, a Ilha da Madeira será sempre conhecida pela sua beleza exótica, uma espécie de jardim plantado no meio do Atlântico. Quero lembrar-me sempre da Ilha desta maneira.

A Festa da Flor é um dos mais coloridos dos eventos tradicionais da Madeira e acontece todas as Primaveras. Há muitas actividades e celebrações na zona do Funchal a começar com o tapete de flores, concertos e grupos folclóricos que dançam ao ar livre. As principais ruas do Funchal são invadidas por um desfile de carros alegóricos que exibem uma multiplicidade de espécies florais, deixando no ar suaves perfumes.
A Festa da Flor realizar-se-á de 15 a 18 de Abril e o tema, anunciado no início do ano, deverá ser "Terra".

Entre os colaboradores activos deste evento, contam-se a Associação Comercial e Industrial do Funchal e a Associação Portuguesa das Agências de Viagem e Turismo. O Funchal foi a primeira cidade portuguesa a ganhar o Galardão de Ouro Europeu no Concurso Europeu de Cidades e Vilas Floridas em 2000. Para além deste galardão, o Funchal tem ganho também o prémio da cidade mais limpa a nível nacional, na categoria de cidades com mais de 50 mil habitantes. Ganhou este prémio nos anos de 94, 96/97 e 99/2000.


Deixo este vídeo para quem sente, sofre, e vive a Madeira.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Entrudo de Podence (Macedo de Cavaleiros) 14 a 16 Fevereiro



A aldeia de Podence, no Nordeste Transmontano, a 7 km de Macedo de Cavaleiros, é especialmente conhecida por uma tradição muito própria, relacionada com o Entrudo. Os chamados Caretos de Podence, rapazes envergando fatos de cores garridas e máscaras de madeira, couro ou lata, pintadas de cores vivas, onde sobressai o nariz pontiagudo.  As suas vestes são confeccionadas a partir de colchas franjadas de lã ou de linho, verde, azul, preta, vermelha e amarela. Os "caretos" saem à rua no Domingo e na Terça-feira, ao som dos bombos e da gaita-de-foles. Com um ar rebelde e atrevido, proporcionam muita animação, mas também chocalham as raparigas solteiras que apanham na rua, correm atrás das mulheres – principalmente das novas e solteiras – para «chocalhá-las», isto é, para abraçá-las lateralmente e com movimentos rápidos de semi-rotação da cintura fazer com que os chocalhos que transportam à cinta lhes batam repetidamente nas nádegas. Fazem parte de uma tradição secular transmontana, que se julga estar associada a práticas mágicas, relacionadas com os cultos agrários da fertilidade. Os mascarados assinalam a chegada dos dias maiores, do calor, bem como os exageros que antecedem a Quaresma, um período de calma, reflexão e contenção do calendário religioso.

Como os trajes dos caretos são reservados, apenas, ao sexo masculino, as raparigas vestem-se de marafonas para saírem à rua disfarçadas no dia de Carnaval. Neste ritual pagão, as praxes do Carnaval de Podence obrigam a que as crianças do sexo masculino (até aos 11, 12 anos) se mascarem como réplicas dos «caretos» adultos, embora menos elaboradas e se comportem à sua semelhança. Conhecidos por «facanicos», acompanham, nas suas andanças e brincadeiras, o grupo dos rapazes solteiros. Certamente, a forma encontrada para que a figura dos «caretos» não se perca, antes se reforce no objectivo de preservar e garantir a continuidade desta tradição carnavalesca.

Ainda não há muitos anos, as pessoas punham trancas às portas e janelas, assustadas com o que lhes podia acontecer.











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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Procissão de Archotes (Amiais de Baixo - Santarém)





A procissão de archotes de Amiais de Baixo é uma manifestação popular com vários anos e é realizada habitualmente no sábado do fim-de-semana em que se realizam as festas da terra. Esta procissão percorre um percurso dentro da vila até ao cemitério, onde a população vai buscar uma imagem do arcanjo S.Miguel que é trazido em seguida, numa outra procissão, para a igreja da freguesia. As festas da freguesia decorrem de 05 a 09 de Fevereiro, remontando as suas origens a 1847, altura em que se realizavam a 20 de Janeiro. Posteriormente, passaram a realizar-se desde o sábado anterior ao Domingo Magro até à terça-feira seguinte, tendo o seu nome passado de "Festa em Honra de São Sebastião" para a designação actual, segundo dizem, numa alusão ao "martírio dos homens de Amiais, obrigados a longos períodos de ausência passados nos pinhais", referência a este povo de serradores, que sempre regulou o seu calendário de trabalho para poder estar presente na Festa, tendo em conta que muitos destes homens chegavam a ir a casa apenas no Natal, Festa ou Páscoa. Há algumas décadas, na procissão, os homens caminhavam descalços, em passo acelerado, segurando compridos liames de verdura entrelaçada que os ligava entre si.

Este ano, inscreveu o seu nome no Livro dos Recordes do Guiness ao conseguir que 624 pessoas participassem na procissão com archotes em fogo ao longo de uma milha terrestre (1620 metros). O anterior recorde pertencia a uma localidade sueca com 407 participantes. Feito de baracejo seco e entrançado e embebido em breu, o archote tem cerca de 80 centímetros e é revestido na zona onde será seguro por um pedaço de papel .

Outro dos pontos altos da Festa é o fogo-de-artifício que evoluiu da beleza e simplicidade de algumas "rodas-de-fogo" (chamadas outrora "fogo-de-jardim") e de uns quantos foguetes de lágrimas, para um fogo-de-artifício de uma complexidade monumental, inigualável no Distrito e que todos os anos traz uma multidão de visitantes a Amiais de Baixo.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Namorar Portugal 2010 (Vila Verde)


Vila Verde está a preparar mais uma edição do evento cultural Namorar Portugal, que irá decorrer no próximo mês de Fevereiro. A Iniciativa Namorar Portugal emergiu de uma intenção de promover um produto cultural de excelência - os Lenços de Namorados, cada vez mais um produto imagem de marca do concelho. O Lenço dos Namorados é um lenço fabricado em pano de linho fino ou de algodão bordado com motivos variados. É uma peça do vestuário feminino, típico do Minho,sendo usado por mulheres com idade de casar. Era hábito a rapariga apaixonada bordar o seu lenço e entregá-lo ao seu amado quando este se fosse ausentar. Nos lenços eram bordados versos, para além de vários desenhos com simbologias próprias. Depois de confeccionado, o lenço acabaria por chegar à posse do homem amado, que o passaria a usar em público como modo de mostrar que tinha dado início a uma relação. Se o namorado (também chamado de conversado) não usasse o lenço publicamente era sinal que tinha decidido não dar início a ligação amorosa. Nestes lenços são bordados versos, geralmente quadras, escritos com erros ortográficos que traduzem a pronúncia da região. Quem os bordava escrevia como falava..

Este ano, o Programa do Namorar Portugal compreende um conjunto de iniciativas muito diversificado: Exposições, Conferências, o lançamento de novos produtos associados à marca Namorar Portugal, tais como o chocolate, a Bolacha do Amor, ou o cocktail “S. Valentim”, a oferta de actividades de desporto e lazer, assim como de programas de Saúde e Bem Estar.
O epicentro do Amor ficará sediado no coração da sede de concelho, numa tenda gigante. Na noite de 13 de Fevereiro, através da realização do VII Concurso Internacional de Criadores de Moda, desfilarão os jovens concorrentes que aderiram ao repto de reinventarem as criações com base nos lenços. Ali terá lugar, também, o mega-jantar de dia de Namorados, o maior jantar romântico do país, aberto a 800 pessoas. Neste ambiente de glamour e romantismo, será ainda possível saborear ementas especiais nos restaurantes locais e beneficiar de condições vantajosas nas várias unidades de alojamento aderentes.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Couto Misto (Mixto)



O Couto Misto é um território de 2.698 hectares com a forma de um rectângulo irregular que se situa numa parte da bacia do rio Salas, na provincia de Ourense, Galiza, fazendo fronteira a sul com o distrito de Montalegre. A fronteira entre Trás-os-montes e a Galiza foi sendo ajustada ao longo dos séculos. O primeiro grande acordo fronteiriço com os espanhóis foi o tratado de Alcanizes assinado por D.Dinis. Mas, desde então mantiveram-se algumas dúvidas sobre pequenos áreas e aldeias cuja a situação era menos clara.
O Couto Misto de Rubiás foi território independente que, durante vários séculos, gozou de isenções várias e privilégios. Um juiz com poderes administrativos, governativos e judiciais era eleito e auxiliado por três homens-bons, representando cada uma das três aldeias que constituem o país: Rubiás, Meaus e Santiago. Estes, tomavam as resoluções em plenários abertos à participação de todos os vizinhos.

Entre os variados privilégios que possuia o território, destacava-se: os seus habitantes não tinham a obrigação de ter outra nacionalidade, embora excepcionalmente pudessem optar pela espanhola ou portuguesa assinalando nas portas das suas habitações tal opção ou com a letra “G” de Galiza ou “P” de Portugal; os jovens não cumpriam serviço militar, não eram alistados nos exércitos nem de Portugal nem da Espanha; os habitantes do Couto não precisavam de licença para usar armas de qualquer espécie; nos seus terrenos podia cultivar-se toda e qualquer espécie de plantas, incluindo-se o tabaco. O comércio mais abundante era o do sal, sobretudo antes da activação das salinas da península, lãs (panas) e linhos, medicamentos, ferrarias, tabacos antes da sua importação dos Estados Unidos e da Catalunha, gados, cereais, alfaias, etc. A língua falada era o galego e no adro da Igreja de Santiago faziam-se as reuniões magnas dos povos mistos.
Até que, em 1864, pelo “Tratado de Lisboa”, o estado português e o estado espanhol acordaram numa divisão fronteiriça mais científica, mais apoiada em mapas, a mesma que persiste até hoje, dando-se a extinção do Couto. Foi determinado que as aldeias poderiam optar entre pertencerem ora a um ou outro país, e assim Soutelinho, Cambedo e Lamadarcos, chamadas de promíscuas (com população galega e portuguesa), decidiram-se por fazerem parte do nosso país, enquanto Rubiás, Santiago e Meaus, por Espanha. Estes três povos do concelho de Chaves situados junto a linha fronteiriça serviram de moeda de troca e passaram integralmente para Portugal. Eclesiasticamente, o Couto Misto esteve sempre dependente da diocese de Ourense.
Actualmente, a prosperidade do Couto é apenas uma recordação e as aldeias do lado de cá e do lado de lá da fronteira padecem do mesmo mal: a desertificação.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Pia do Urso (Batalha)



Contam os mais antigos que, no lugar de Pia do Urso, um curioso ritual se tornou lenda. Despreocupado com os olhares alheios, todos os dias um urso, cansado dos seus passeios peos caminhos acidentados da serra, aproveitava para se refrescar, numa pia de água fria, esculpida na pedra, pela mãe Natureza. A pia em questão, devidamente assinalada no local, apresenta um declive natural que facilitaria a este e a outros animais a ingestão do líquido, numa zona densamente arborizada.
O Ecoparque Sensorial da Pia do Urso é único no mundo e foi pensado especialmente para proporcionar novas experiências e sensações aos invisuais. Ao longo dos percursos, os sons, perfumes e formas despertam os sentidos para experiências mágicas e renovadoras. Inserido num cenário natural, absolutamente deslumbrante, aqui, todas as infra-estruturas foram preservadas, para manter a tradição. Desde as habitações, em que a pedra e a madeira se constituem como os principais materiais utilizados, até ao espaço natural que envolve o percurso sensorial compreendido por 6 Estações (Planetário, Ciclo da Água, Jurássica, Abstracta, Lúdica, Musical), contam-nos um pouco da história da região.
Outra lenda em redor da Pia do Urso aborda a existência, há alguns anos, de uma oliveira diferente das demais, em virtude desta apresentar a rama preta e ao longo da sua vida nunca ter produzido azeitona. A explicação para estes factos bizarros, apontavam os mais idosos, relacionava-se com a hipótese de, aquando da permanência naquele local dos exércitos franceses, a oliveira ter servido de esconderijo de armas, munições e pólvora.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

BTL 2010 Feira Internacional de Turismo (13 - 17 Janeiro) - FIL Lisboa




                                             - Eu vou lá estar

A BTL tem crescido ao longo das várias edições e é sem dúvida o grande ponto de encontro do sector. Umas das grandes apostas deste ano é a área da Saúde e Bem-Estar como destino turístico, também por isso, a organização apresenta como novidade desta edição a BTL Termal e Spa´s (Pavilhão 2) e garante ainda que “estarão presentes as mais variadas áreas de cultura e lazer de todas as regiões do País”, ao longo de três pavilhões (ocupando 30.000 metros quadrados). As Regiões de Turismo de Porto e Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo, Algarve, Açores e Madeira, que representam pontos turísticos como o Douro, Serra da Estrela, Leiria e Fátima, Oeste, Alqueva, Alentejo e Alentejo Litoral, vão apresentar na BTL 2010 diversas ofertas em novos segmentos como o Enoturismo, Turismo Aventura, Turismo Gastronómico, Turismo Rural, Turismo de Saúde e Bem-Estar, Turismo Religioso, Turismo Náutico, entre outros. 

Em 2008 foi criada a figura do Destino Convidado Nacional com o objectivo de fomentar a promoção turística de Portugal, apostando na visibilidade dos principais destinos nacionais.  A presença destes destinos é tradicionalmente mais marcante, destacando-se a variedade de iniciativas: desde workshops temáticos, provas gastronómicas ou apresentações culturais. Pela primeira vez, Lisboa apresenta-se como destino convidado na BTL 2010, onde vai apresentar a oferta turística da cidade de Lisboa, Costa do Estoril, Mafra, Oeiras e Sintra.  Recentemente distinguida com três prémios do World Travel Awards (Melhor Destino Europeu, Melhor Destino para City Breaks e Melhor Destino de Cruzeiros), Lisboa prepara-se para viver um ano de ouro enquanto destino turístico de eleição e, porque não, por arrastamento, o País.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Rio de Onor (Bragança)



Rio de Onor fica num vale luxuriante, com soutos verdejantes, recoberto de culturas hortícolas, em contraste óbvio com a aridez dos grandes planaltos circundantes, onde predominam os matos pobres abrangendo uma área considerável, in­cluída no perímetro do Parque Natural de Montesinho e protegida pelas imponentes Serras de Montesinho (a poente), Sanábria (a norte) e Guadramil (a nascente).

As habitações perfilam-se ao longo de duas ruas paralelas, de cada um dos lados do rio de Onor. Com as suas típicas casas de xisto, de pare­des escuras, sem reboco e de aparelho mi­údo, as aldeias desta freguesia preservam um carácter arcaico e rústico, “casando” perfeitamente com a belíssima paisagem natural. Rio de Onor é um caso emblemá­tico, reforçado pela sua posição fronteiriça, com a homónima espanhola – Rihonor de Castilla – ali à distância de uns passos, separada apenas pelo rio (que não chega a ser obstáculo, pois é vencido por esplên­dida ponte medieval de alvenaria e múlti­plos arcos). A do lado espanhol chama-se Rihonor de Arriba ou Rihonor de Castilla, a do lado português Rionor de Abajo ou, oficialmente, Rio de Onor. Os habitantes chamam-lhe simplesmente al lugar, quando se exprimem no seu dialecto próprio - uma das muitas características ímpares da aldeia. O Rionorês é um dialecto muito antigo, baseado na velha língua leonesa, hoje fortemente influenciado pelas línguas ibéricas modernas e não muito diferente do guadramilês, praticamente esquecido, que era falado na aldeia vizinha.


Apesar dos documentos mais antigos que referem Rio de Onor datarem do tempo de Afonso III, presume-se a sua origem muito mais antiga, anterior à fundação da nacionalidade, tendo a aldeia sido cortada em duas quando se definiram fronteiras na região. A estreita relação existente entre os dois núcleos da aldeia - impensável no caso de povoações separadas, para mais pertencentes a reinos distintos e rivais - parece confirmar esta tese. Houve em Trás-os-Montes outras aldeias cortadas pela linha divisória dos dois países, mas apenas Rio de Onor chegou, assim, aos nossos dias. As tradições comunitárias ainda se conservam vivas, sob a forma da posse colectiva de alguns bens - os campos, os moinhos, os rebanhos - e pelo modo de administração rural, levada a cabo por dois mordomos, designados pelo conselho, assembleia que reúne representantes de todas as famílias, os vizinhos. Outrora os mordomos eram eleitos, mas actualmente existe um esquema de rotação cíclica, de modo a que todos possam exercer as funções. De salientar que a organização social da aldeia portuguesa se conservou mais ao jeito tradicional do que a da sua gémea castelhana.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Geada 2009 - Festival de Cultura Tradicional das Terras de Miranda (26 a 28 Dezembro)









O GEADA 2009 é uma das iniciativas que integram o plano de actividades da Associação Recreativa da Juventude Mirandesa - ARJM, organizado em parceria com o Grupo de Pauliteiros da Cidade de Miranda do Douro.


Na sua 2ª edição, o GEADA terá como objectivos principais: festejar e divulgar a cultura, a língua e as tradições de Inverno das Terras de Miranda e comemorar os "10 Anos de Oficialização da Língua Mirandesa".

Ao longo do festival, os participantes terão a possibilidade de conhecer algumas das mais belas tradições de Inverno do Planalto Mirandês.

Entre os vales e arribas das Terras de Miranda, qualquer um poderá dançar à volta da tradicional fogueira do galo, e ao som ecoante das mais belas gaitas-de-foles, dançar pauliteiros e música tradicional mirandesa, tocar instrumentos tradicionais, descobrir a lingua mirandesa, conviver nas típicas adegas do centro histórico de Miranda do Douro, passear por algumas das mais belas aldeias do planalto, acompanhando a Rota do Contrabando, fazer e provar enchidos, e deliciar-se com os sabores da gastronomia tradicional mirandesa.

A organização do GEADA pretende também mostrar o que de melhor se faz por Terras de Miranda, decorrerão portanto, em paralelo ao festival a "I Mostra Associativa das Terras de Miranda" e a "II Exposição Artística da Juventude Mirandesa - INOVART".

O lema volta a ser este: "Bamos derretir l carambelo!". Alguém precisa de tradução? "Vamos derreter o gelo!".

domingo, 20 de dezembro de 2009

Presépio vivo de Priscos (Braga)





Entre 25 de Dezembro e 9 de Janeiro, mais de 600 figurantes e trajes, 80 cenários e 30 mil metros quadrados de exposição formam o presépio vivo de Priscos que se diz o maior da Europa e quer ficar no Livro do Guinness. Nesta quarta edição espera-se dobrar os 41300 visitantes de há um ano.
O Presépio pretende recrear o ambiente que se vivia na altura do nascimento de Jesus Cristo, tendo, para o efeito, sido feita uma recolha de músicas, cheiros e sabores usados na época, para além da recriação de casas, lojas, praças e mercados. Os 60 cenários fazem referência às culturas egípcia, judaica e romana.
A parte da aldeia judaica evoca ofícios e espaços da Palestina há 2000 anos, com a sinagoga, lojas de panos, vidro, cestos, mel e olaria, entre outros. Há ainda gastronomia, danças e som da época.
A aldeia dos romanos tem áreas como casas, mercados, senado, palácio de Júlio César ou o acampamento . É uma história viva a ver para além do que se olha. Os ferreiros a forjarem e temperar o ferro, o sapateiro a concertar sandálias rompidas, os serradores que cortam lenha, os camponeses a organizarem as ferramentas de trabalho, a tecedeira no tear a jogar fios de lã, o oleiro a amassar o barro, a padeira a amassar a farinha, os pastores que cuidam dos seus rebanho, o rabino que canta salmos na sinagoga com outros sacerdotes, as vendedoras de sementes, legumes, plantas e peixe dão vida a outras vidas.
Foram utilizados materiais fabricados pelas empresas da região e a colaboração de inúmeras pessoas de variadas maneiras. Os visitantes também podem participar no Presépio como figurantes, para isso basta mandar um e-mail ou aparecer 30 minutos antes das sessões.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Garfe, Aldeia dos Presépios (Póvoa de Lanhoso)




Desde 2002 que a população dos diversos lugares de Garfe presenteia os visitantes com verdadeiras obras de arte, esmerando-se por aperfeiçoar cada presépio, que conjuga particularidades da vida do Minho e do campo com os motes tradicionais da celebração do Natal. Dinâmicos os estáticos, em miniaturas ou tamanho quase real, estes Presépios são verdadeiros conjuntos artísticos, realizados dos mais diversos materiais, que devolvem a bela tradição desta quadra e que encerram horas e horas de trabalho dos habitantes da freguesia.
A tradição conta já oito anos, sendo que, na primeira edição, participaram os lugares de Assento, Devesa, Carvalhinho, Costa, Moinhos, São Roque e Eiras, abraçando esta iniciativa que nasceu pelo desafio lançado pelo grupo de jovens “Chamas Vivas”.
Como nas edições anteriores, em cada Presépio haverá a celebração de uma eucaristia.
Pela primeira vez a freguesia conta com a ‘Loja dos Presépios’. Localizada no lugar de Salgueiros, no centro da freguesia, aquele espaço pretende funcionar como um posto de informação mas também como um local privilegiando para a divulgação dos produtos do concelho. Quem ali se deslocar poderá recolher folhetos informativos acerca dos presépios assim como adquirir produtos regionais. As compotas, o mel, a filigrana, a cestaria, e o vinho verde, são alguns dos produtos em exposição. Esta iniciativa resulta da parceria da Câmara Municipal com a Associação de Turismo da Póvoa de Lanhoso.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Terra dos Sonhos (Stª. Mª. da Feira) 05 - 27 Dezembro









A segunda edição da Terra dos Sonhos conta com novas atracções e áreas temáticas ligadas ao imaginário infantil onde as personagens dos livros e do cinema ganham vida própria.
Áreas temáticas como "Os Três Porquinhos construtores", "A Raínha da Neve", "O Gato das Botas" e a "Central de Distribuição de Cartas" onde as crianças entregam as suas cartas que depois de processadas seguem para a fábrica de brinquedos do Pai Natal, a "Branca de Neve e os Sete Anões", a "Vila dos Sonhos", o "Chá da Alice", juntam-se a outras já conhecidas da primeira edição.
Uma megacenário que conta com mais de 100 actores e figurantes, a grande maioria provenientes do concelho e que foram preparados pelas estruturas locais da organização. Ao entrar no portão da “Terra dos Sonhos” vai sentir de imediato, para além do espírito natalício, a magia dos contos de fada e das fábulas tão presentes na memória de todos. O brilho da neve, o encanto da luz e a alegria reinam aqui.

Porque continua a existir uma criança dentro de cada um de nós…

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

ÓBIDOS Vila Natal (28 Novembro - 3 Janeiro )










Pelo quarto ano consecutivo, Óbidos transforma-se na vila do Pai Natal. Um evento que mais uma vez reveste aquela vila de luz e fantasia, chamando até si toda a magia da época natalícia com um extenso programa de actividades para crianças e adultos.
Bem mais perto que a distante Lapónia, Óbidos enche-se de duendes, neve artificial, bonecos de neve, árvores de Natal, presentes, dança, teatro infantil, oficinas e exposições.
Visitar a casa do Pai Natal, voar no carrossel mágico, viajar em pequenas locomotivas, saltar nos insufláveis coloridos, patinar nas duas pistas de gelo ou escorregar nas rampas de trenó e esqui são outras das ofertas do certame.


Alojamento:

Óbidos é uma zona de preços proibitivos. Com este acontecimento, tudo piora. No entanto, encontrei esta pérola - um sossego brutal a um quilómetro da vila. Se fizer o "check-in" ao Domingo, o preço baixa consideravelmente tendo sempre direito a pequeno-almoço.

Se escolher este hotel, apanhar a auto-estrada (A 8) e tomar a saída de Gaeiras. Seguir na direcção de Óbidos.

sábado, 28 de novembro de 2009

sábado, 21 de novembro de 2009

Sea Life (Porto)














Situado junto à Praça Gonçalves Zarco, numa das zonas mais nobres da cidade, o SEA LIFE Porto é a escolha ideal para um dia de lazer e entretenimento, passado em família ou grupo de amigos.
Junte-se numa fascinante viagem de ambientes subaquáticos. Enquanto navega desde a nascente de água doce do Rio Douro até ao Atlântico, rumo aos mares tropicais, desde as praias de areias brancas e densas atá às profundezas mais escuras do oceano. Prepare-se para ser surpreendido por apontamentos como os socalcos das encostas do Douro, a histórica Ponte D. Luiz I, ou as tradicionais fachadas dos edifícios Ribeira.
O centro de entretenimento conta com 2.200 metros quadrados e que alberga 31 aquários diferentes, sendo que o maior deles, o aquário do oceano, tem uma capacidade de 500 mil litros de água, mede 10 metros de altura, nove de largura e tem mais de seis metros de profundidade. Um colector de 300 metros que passa por baixo da praia mais próxima, traz água salgada directamente do Atlântico.

São aproximadamente 5.800 criaturas marinhas e de água doce de cerca de 100 espécies diferentes. Espécies tropicais como o tubarão de recife de pontas pretas e o tubarão castanho, espécies europeias como o galhufo e o cação, além de estrelas-do-mar, medusas, cavalos marinhos, camarões, raias, polvos, peixes-palhaço, entre muitos outros.


Acessos:

Vindo de norte, seguir pela A28 direcção Porto. Sair para Matosinhos, seguindo pela direita a Circunvalação. Na marginal, rotunda à esquerda. Vindo de sul, seguir pela A1 direcção norte e sair para Matosinhos. Na Rotunda AEP, seguir pela esquerda pela Circunvalação e descer até à marginal. Rotunda à esquerda, junto ao Parque da Cidade.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

"Sexta-Feira 13" em Montalegre





Desde 2002 que a Câmara de Montalegre organiza as "Noites das Bruxas", que decorre em todas as "sextas-feiras 13", e já fazem parte integrante do calendário cultural da região. Recebidos por duendes, diabos, bruxas e outras assombrações, os visitantes passam uma louca aventura até chegarem ao Castelo. As bruxas saiem à rua, os dragões cospem fogo, as carroças voam e gigantescos pássaros assombram o céu. Pelas 20H00, o jantar "embruxado" é realizado pelos vários restaurantes aderentes, não só na vila de Montalegre como nas aldeias limítrofes.

Montalegre já há muito tempo que é a capital do misticismo e tem a sorte de poder contar com o Padre Fontes, um dos principais dinamizadores do Congresso de Medicina Popular em Vilar de Perdizes.
"Sapos e bruxos, mouchos e crujas, demonhos, trasgos e dianhos" são os primeiros a ser invocados pela ladainha do padre Fontes, que, depois de preparar a queimada com aguardente, limão e açúcar, a vai dar a beber a todos os presentes. Para quem acredita, a queimada pode livrar todos os males de embruxamentos, feitiços e maus-olhados. As queimadas também se faziam nas aldeias, nas noites frias de Inverno, para curar as pessoas dos resfriados, constipações e até de dores de garganta.


Devido ao mau tempo, a celebração da sexta-feira 13 realiza-se no Pavilhão Multiusos de Montalegre. Um espaço que está a ser preparado com todo o cuidado e que promete fortes surpresas. Depois das enchentes de Fevereiro e Março é esperada nova romaria até porque em 2010 só existe uma, agendada para Agosto.

PROGRAMA:

Durante a manhã - RTP1 (directo para o programa Praça D’Alegria)
15H00 - Desfile fantasmagórico (ruas de Montalegre) pelos alunos das escolas da vila de Montalegre
20H00 - Jantar infernal (pelos vários restaurantes do concelho)
23H00 - Espectáculo no pavilhão Multiusos de Montalegre
(Queimada esconjurada pelo Padre Fontes)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Anta de Pavia (Capela de São Dinis) - Mora


Foto de "Portuguese Eyes"

Classificada como "Monumento Nacional" em 1910, a "Anta de Pavia" foi erguida entre o IV milénio a. C. e o III milénio a. C de modo relativamente isolado numa planície de Mora, na aldeia de Pavia. Anta de grandes dimensões, da qual subsistem hoje apenas os sete esteios da câmara, de forma poligonal, com 4,5 metros de diâmetro e 3,3 metros de altura, coberta por uma grande laje. A anta foi transformada em capela de invocação a S. Dinis, possivelmente no início do século XVII - muito possivelmente com base no protótipo da Anta/Capela de S. Brissos, situada em Santiago do Escoural -, tendo sido acrescentado na entrada da câmara um alçado, onde se abre uma porta em arco, sobre a qual, uma discreta cornija suporta um frontão pouco destacado. Uma cruz eleva-se sobre o frontão sendo ladeada a norte por um pequeno campanário. Os espaços existentes entre os esteios foram preenchidos por argamassa. No interior da câmara, cujo piso se encontra lajeado, e em posição um pouco mais elevada, foi construído frente à porta um pequeno altar, revestido a azulejos. Sobre o altar, encontra-se uma pequena imagem que pretende representar S. Dinis.
A anta foi escavada por Virgílio Correia nos primeiros anos deste século, sendo o escasso espólio constituido por fragmentos de cerâmica, de placas de xisto, duas das quais inteiras, e objectos de pedra polida. Foram ainda identificados, no interior da câmara, pequenos nichos formados por lajes de pedra, o que leva a supor que esta estivesse compartimentada para conter unidades sepulcrais individualizadas ou enterramentos secundários.
Deste dolmen monumental, consagrado a templo cristão em época antiga mas desconhecida, anteriormente a 1625, data em que já existia com a designação de S. Dinis, sairam das escavações com destino ao Museu Arqueológico de Belém, várias peças de cerâmica e placas-ídolos de lousa e sentido iconográfico do paganismo.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Penedo Furado (Vila de Rei)


Foto de Patrícia Pires

Local de extraordinária beleza natural, é absolutamente imperdível a caminhada entre floresta e caminhos escavados na rocha pela ribeira da Isna, até às quedas de água das Bafureiras. O nome do local tem origem nas características do maciço rochoso com um corte natural na rocha. A praia, de águas represadas e pouco profundas, foi enriquecida por um areal artificial e um conjunto de infra-estruturas de apoio (Bar, Balneários, Parque de merendas, Jogos didácticos, etc.) sendo anualmente visitado por milhares de forasteiros, principalmente no Verão.

Dois miradouros com acesso directo à estrada, permitem a visão deste conjunto e a paisagem circundante.

O acesso faz-se a partir de Vila de Rei, tomando o novo traçado da EN 2 e seguindo até ao desvio para a povoação de Milreu que se atravessa em toda a sua extensão. Quando encontrar um entroncamento, deve virar à esquerda. 2000 m depois está no Penedo Furado (caminho assinalado).

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Casa de Santar (Nelas)

http://www.flickr.com/photos/magnacasta/sets/72157615652405408/show/

Da mais pura e nobre terra, nascem os vinhos que seduziram os deuses e deslumbraram os homens: os vinhos da CASA DE SANTAR.
Santar é uma das mais nobres freguesias das medievais da região de Viseu que conserva as casas de granito e os vetustos caminhos romanos. Trata-se de um importante centro vinhateiro da região do Dão.
A Casa de Santar, Solar do século XVII e XVIII, possui um vasto património arquitectónico baseado no estilo maneirista, barroco e neoclássico. Os seus jardins, considerados como dos mais belos da Beira Alta, apresentam-se sobre uma sequência de buxos que termina num lago do século XVIII. Centraliza as atenções, o chafariz com a data de 1790, denominado "Fonte dos Cavalos", onde estão portados os quatro cavaleiros trajados ao rigor do século XVII. Cada um destes cavaleiros representa cada uma das famílias, cujos nomes vingam o esplendor da Casa. Em frente à Casa, o "Chafariz da Carranca" impõe-se como Brasão de Armas da Casa. As imponentes adegas integram-se admiravelmente no conjunto arquitectónico da propriedade. Estas construídas em granito, com os seus frescos de azulejos históricos, abrigam, num ambiente do passado, as mais modernas e avançadas tecnologias.
Na varanda da sala de provas, sempre que o tempo o permita, provam-se os vinhos da casa de diferentes épocas, com especial destaque para o Vinho Tinto Casa de Santar, em companhia dos veados que se passeiam pacatamente pelo parque. Na continuação da adega, em harmonia uniformidade paisagística, seguem-se as afamadas vinhas da propriedade entre pinhais e soutos verdejantes.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Aldeia de Pontido (Fafe)



Rodeada por um intenso verde, a Aldeia do Pontido é constituída por cinco casas, distribuídas pelas margens do rio Vizela e reconstruídas com todo o respeito pela traça original e pelos materiais tradicionalmente utilizados nas aldeias rurais do Minho. No interior, a decoração faz-se de uma simbiose perfeita entre os materiais mais rústicos e as peças contemporâneas, o que proporciona um ambiente particularmente acolhedor. Para além das casas, foram também recuperados o moinho e o pisão da aldeia, pelo que poderá conhecer as técnicas ancestrais de aproveitamento da energia da água para a moagem dos cereais e a pisa da lã.

A proximidade à barragem da Queimadela e as várias praias fluviais garantem ainda que não faltará o que fazer aos mais activos, sem esquecer o entorno paisagístico que convida a caminhadas em intensa comunhão com a natureza.
Mas se a preguiça for o objectivo desta visita, pode mesmo contar com o "nada fazer" já que a aldeia integra também um restaurante onde são preparados os irresistíveis sabores minhotos.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Quinta da Aveleda (Penafiel)



Entrar na Quinta da Aveleda é muito mais do que entrar no fascinante mundo dos vinhos. É embocar numa história com mais de quatro séculos de vida, é conhecer os projectos de várias gerações de uma mesma família, é entender a terra e a natureza. É surpreendente em vários aspectos. Pelo exotismo da flora, pelo peculiar conjunto arquitectónico, pelos cuidadosos detalhes que enriquecem o percurso, pela história da família Guedes, proprietária, desde há vários séculos, da mundialmente conhecida marca de vinhos verdes.
Remontam a 1671 as primeiras construções na Quinta da Aveleda, nomeadamente a capela, anexa à casa principal. Foi igualmente no século XVII que os Guedes se tornam senhores da propriedade. Mas foi no séc. XIX, com Manoel Pedro Guedes – antigo deputado, visionário, romântico, exilado voluntariamente em Penafiel – que o espaço ganhou consideráveis dimensões.

A Quinta propõe aos visitantes um percurso pelas ruas e alamedas da propriedade, sinalizado num mapa distribuído na recepção. Logo no início do percurso, surge a Casa do Guarda de Cima, junto a uma das entradas de serviço, uma construção semelhante à tentação de chocolate do conto infantil de Hansel e Gretel. É uma das várias follies, devaneios arquitectónicos sem funcionalidade específica, espalhadas pela propriedade. Poucos passos à frente, no Lago dos Cisnes, outro ex-líbris da propriedade: a Janela Manuelina, resgatada da casa onde nasceu o Infante D. Henrique e donde se diz ter sido aclamado rei D. João IV. E, noutra pequena ilha, a Casinha de Chá, de estilo vitoriano, onde as crianças se divertem a recriar histórias dos livros de aventuras. Cobras, sapos, tartarugas e águias de louça, presos no tecto, compõem o cenário. Não só de vinhos verdes é feita a fama da Aveleda. No edifício da Adega Velha, repousam as barricas de carvalho francês, onde se guarda a aguardente com o mesmo nome.


Penafiel vai converter-se, durante quatro dias, na localidade de Saramago por excelência. Não tropeçar em referências ao único Nobel da Literatura de língua portuguesa vai ser uma tarefa condenada ao insucesso, tão evidentes são as marcas da sua obra espalhadas por Penafiel.
O objectivo do festival, Escritaria 2009, iniciativa destinada a explorar a memória dos escritores nacionais mais relevantes, ainda entre nós, passa por "contaminar a cidade com aforismos, frases soltas, referências históricas, cosmogonias literárias, imagens e obras plásticas que remetam para o peculiar universo de José Saramago".
Do ambicioso programa do Escritaria fazem parte não apenas os habituais colóquios, em que participam figuras como o cineasta brasileiro Fernando Meirelles, o arquitecto espanhol José Joaquín Parra e os escritores Laura Restrepo e Miguel Real, ou o lançamento mundial do novo romance do autor, "Caim", mas também iniciativas que visam aproximar a comunidade local do autor. Os exemplos deste esforço de dessacralização são tão abundantes que o palco mais frequente das iniciativas não é nenhum auditório, mas sim as ruas e praças penafidelenses. Além de frases do autor pintadas na estrada e de cartazes em forma de 'post-it' contendo frases emblemáticas da sua obra, o Escritaria vai apresentar insólitos "bancos que narram", em que, graças a dispositivos sonoros, vulgares assentos vão reproduzir gravações de excertos saramaguianos.

Entre 15 e 18 de Outubro.
Para ouvir:
http://www.tsf.pt/paginainicial/AudioeVideo.aspx?content_id=1391490

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Museu Luso-Hebraico (Tomar)



Foto de Carlos Silva


Julga-se ter sido construído entre 1430-1460 por ordem do Infante D. Henrique, constituido o melhor e o mais antigo exemplar arquitectónico da cultura judaica que possuimos no nosso território. Possui uma planta regular, centrada em quatro colunas de pedra que simbolizam as matriarcas Sara, Rebeca, Lia e Raquel. A ausência de decoração contrasta fortemente com os monumentos cristãos, sendo as suas paredes apenas ornamentadas com algumas das peças do núcleo museológico e o tecto abobado sem qualquer tipo de ornamentação. Um dos aspectos curiosos deste espaço é a sua instalação sonora: quantro ânforas, uma em cada canto superior da sala, asseguram uma acústica muito eficaz.

Com a expulsão dos Judeus de Portugal em 1496, a sinagoga foi fechada e foi utilizado como armazém, estábulo e residência, até que foi adquirida em 1920 pelo Dr. Samuel Schwarz, que a doou ao Estado, na condição de que fosse aí instalado o Museu Luso-Hebraico. No início do século XIX, é reconhecido como Monumento Nacional.


Morada: Rua Dr Joaquim Jacinto, 73 (antiga Rua da Judiciária)

Horário: Outubro / Junho: 10h00 - 13h00 / 14h00 - 18h00 (todos os dias)
Julho / Setembro: 10h00 - 13h00 / 14h00 - 19h00 (todos os dias)
Fechado: 25 Dezembro, 1 Janeiro, Domingo de Páscoa, 1 Maio

Entrada gratuita

domingo, 4 de outubro de 2009

4º Festival Islâmico Al Mossassa (Marvão)







De 2 a 5 de Outubro

O Festival Islâmico “Al Mossassa” pretende recordar a época da fundação de Marvão e a autarquia celebra esse fato histórico em paralelo com a cidade espanhola de Badajoz, com quem partilha o mesmo progenitor, “Ibn-Marúan”.
Não é, certamente, o único evento de atmosfera medieval a ter lugar no calendário festivo do nosso país, mas é, absolutamente, um dos mais coloridos, animados e deslumbrantes, constituindo uma oportunidade preciosa de experienciar a História e a cultura em todo o seu esplendor. Entre numa verdadeira máquina do tempo que nos transporta para o séc. IX e nos revela um mundo de encantar.

Ao longo do festival estão a decorrer diversas iniciativas de época, colóquios e workshops, animação de rua, dança oriental, teatro e actuações musicais, além do mercado das três culturas, onde podem ser encontrados diversos artigos islâmicos. Neste espaço, com perto de 100 pontos de venda, vive-se um ambiente de mercado, tendo os visitantes a oportunidade de poder encontrar um vasto leque de produtos e objetos relacionados com o Islão e a sua cultura. Com trabalhos em osso, incensos, túnicas, véus, cintos para dança do ventre, sabonetes e perfumes, louças e tapetes orientais, artesanato egípcio, de Marrocos, do Himalaia e da Tunísia, o “Mercado das 3 Culturas” constitui um dos principais marcos do festival.

Durante o “Al Mossassa”, os visitantes podem ainda observar artesãos trabalhando ao vivo, como o ferreiro e o escultor de areia. A escrita árabe, a leitura da sina nas mãos, as massagens orientais, o stand de chás e ervas medicinais, os fósseis, as antiguidades e as réplicas de armas são outros pontos de interesse. No “Al Mossassa”, os visitantes podem ainda visitar uma tenda gigante para tomar o verdadeiro chá árabe e saborear várias iguarias, como os kebabs, crepes, pão,tâmaras, fogaças e porco assado no espeto.

A animação junto ao Castelo de Marvão também não foi esquecida pela organização, que contratou malabaristas, encantadores de serpentes, bailarinas de danças orientais, manipuladores de fogo e andarilhos.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Dornes (Ferreira do Zêzere)

Ferreira do Z�zere - Dornes





A torre templária é sem dúvida alguma o cartão de visita desta terra e surpreende pela invulgaridade da forma. As suas cinco faces tornam-na um exemplar raríssimo da arquitectura militar dos tempos da Reconquista. Edificada por Gualdim Pais para defesa da linha do Tejo, foi construída sobre a base de antiga torre romana, garante da segurança para a exploração do ouro que aquele povo fazia no Zêzere. No interior da torre encontram-se, intactas, várias estelas funerárias templárias, lembrando eras em que estes cavaleiros defendiam o território das investidas muçulmanas e procuravam sepulcro junto das casas de Deus. Com tempos mais pacíficos e perdida a função guerreira, a torre ficou sineira no século XVI, função que ainda hoje conserva.
O vilarejo de Dornes foi Comenda da Ordem de Cristo mas hoje é essencialmente um dos mais belos quadros da riquíssima paisagem portuguesa, pois forma uma península banhada pela Albufeira de Castelo do Bode. A fundação da aldeia remonta ao século XII e está ligada ao aparecimento de uma imagem milagrosa de Nossa Senhora do Pranto.
Soberbamente enquadrada pela moldura paisagística que o rio e o pinhal lhe oferecem -com as ruas calcetadas de seixos e de traçado medieval, a desembocar no rio e na igreja - pelas casas de traçado antigo, onde se descobrem testemunhos da poderosa Ordem de Cristo.

Pelo seu carácter rural, a freguesia baseia as suas danças e cantares em grande parte na vida do campo, sendo ainda possível encontrar pessoas a cantar numa descamisada, ou em alguma festa, umas belas cantigas à desgarrada de cariz popular.
Destacam-se na gastronomia local os pratos confeccionados a partir dos peixes do rio, como seja o Ensopado de Peixe. De entre as espécies aqui mais encontradas, destacam-se a carpa, a boga, o barbo e o achegan.
Dornes fica a 140 Km de Lisboa e a 165 do Porto.

N. B. - Este destino é dedicado a pessoas fartas das obrigações do dia-a-dia, das rotinas, das desilusões da vida, de um certo desencanto, e que hoje fazem anos...