terça-feira, 22 de setembro de 2009

Palhota (Cartaxo)



No início do século XX e até aos anos 1960, vários pescadores de Vieira de Leiria e de Aveiro - que protagonizaram o último grande movimento migratório em Portugal - desceram até às margens dos rios Tejo e Sado, na tentativa de encontrar melhores condições de pesca e mais oportunidades. Os avieiros, rejeitados inicialmente pela população local que lhes chamava "ciganos do rio", viviam nos seus próprios barcos, até que, à medida que se iam integrando, começaram a construir pequenas habitações.
As casas típicas dos avieiros eram construídas em madeira e palafita, um material que impede as construções de serem arrastadas pelas correntes do rio. As estacas que já usavam nas dunas junto ao mar e que impediam que a areia lhes entrasse em casa, eram agora a salvação contra as cheias do Tejo, que nessa época era um «jardim de peixe». Estas casas têm todas o mesmo tipo de construção e a mesma organização interior: o primeiro andar tem a sala à entrada e dois quartos ao lado. A cozinha fica em baixo ou em frente, do outro lado da rua.

Nesta aldeia chegou a viver Alves Redol, um grande escritor português que muito escreveu acerca do Tejo e das suas gentes. A aldeia está quase deserta e muitas das casas típicas que ainda sobram estão em mau estado e a precisar de obras de conservação. A Palhota é uma das 14 comunidades avieiras, existentes entre a Chamusca e Grândola, onde se fixaram populações piscatórias.

Imperdível é mesmo o espectáculo do pôr do Sol à beira-Tejo, com os barcos pintados de cores garridas encalhados no areal e as cegonhas, garças e outras aves a regressar em bandos aos respectivos abrigos.

O acesso pode fazer-se a partir das estações ferroviárias da Azambuja ou do vale de Santarém.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Mosteiro Santo António do Varatojo (Torres Vedras)



O Mosteiro de Santo António do Varatojo foi fundado por D. Afonso V em 1470, como cumprimento de uma promessa que o monarca havia feito a Santo António, pedindo auxílio para as campanhas do Norte de África.
Em meados do século XVI, devido possivelmente aos estragos que o terramoto de 1531 havia provocado na estrutura monacal, D. João III mandou refazer e aumentar o espaço dos dormitórios, na mesma época em que foi edificada a enfermaria, bem como a capela-mor do templo, edificada a expensas da rainha D. Catarina
No ano de 1680 instalou-se no Varatojo o Colégio de Missionários Apostólicos, e cerca de 1739 foi acrescentado à zona dos dormitórios um novo piso, para albergar o noviciado do colégio. No entanto, com a extinção das Ordens Religiosas em 1834, a comunidade de franciscanos do mosteiro foi dispersa, e alguns anos mais tarde, em 1845, o edifício monacal foi vendido em hasta pública ao Barão da Torre de Moncorvo. O espaço acabou por voltar para a posse dos frades franciscanos, que compraram o mosteiro ao herdeiro do barão em 1861.
Os religiosos do Varatojo voltaram a perder o mosteiro depois da implantação da República, sendo forçados a abandonar o espaço ainda no ano de 1910. O mosteiro era então transformado em asilo de idosos. A comunidade franciscana só voltou a ocupar o cenóbio em 1928, no ano em que o Governo português entregou o espaço às Missões Franciscanas Portuguesas, mantendo-se na sua posse até hoje.
O espaço do mosteiro apresenta uma estrutura eclética que conseguiu integrar vários modelos diferentes relativos às diversas épocas construtivas, nomeadamente um portal gótico gravado com baixos relevos, e o claustro quatrocentista, o tecto mudéjar da portaria e vários portais manuelinos no espaço claustral, o templo maneirista, vários painéis de azulejo, tanto de gosto maneirista como azulejos de padrão e figurativos de gosto barroco, altares de talha de estilo nacional e uma tela da autoria de Bacarelli, colocada na capela-mor.

Implantando numa encosta, destaca-se o pequeno espaço da cerca conventual, pelo valor botânico da sua frondosa mata. Este convento tem a curiosidade de ainda albergar uma comunidade monástica que produz e vende plantas e remédios naturais. Também vale a pena reparar na gigantesca trepadeira que abraça a quase totalidade do claustro.

domingo, 13 de setembro de 2009

Calçada de Alpajares (Freixo de Espada-à-Cinta)



Classificada em 1977 como "Imóvel de Interesse Público", a "Calçada de Alpajares", ou "Calçada dos Mouros", como será mais conhecida localmente, integrava a via romana de carácter secundário que atravessava o rio Douro (nas imediações da localidade de Barca de Alva) e a ribeira do Mosteiro, até chegar ao planalto mirandês. Actualmente, remanescem apenas alguns dos seus troços originais, visíveis perto da convergência das ribeiras da Brita e do Mosteiro, a partir da qual se prolonga pela encosta de Alpajares de forma ziguezagueante, até chegar ao muralhado do povoado de São Paulo, edificado na Idade do Ferro no cimo de um espigão sobranceiro àquelas mesmas ribeiras, com testemunhos ocupacionais dos períodos romano e medieval. E terá sido, na verdade, a excelente implantação estratégica deste Castro que subjazeu à sua eleição por parte do poder romano, que assim fez confluir para a sua fortificação a calçada, tão necessária a uma célere movimentação dos seus diversos elementos constituintes.
Estruturada ao longo de cerca de oitocentos metros em lajes afeiçoadas em xisto e seixos de pequena dimensão, a calçada possui degraus intercalados com certa regularidade, entre três a quatro metros, apresentando-se, ainda, reforçada com uma parede lateral na zona em que o declive da encosta se revela mais acentuado, designadamente nas curvas do traçado da via, que, tal como sucedeu com o Castro (vide supra), acabaria por ser reutilizado ao longo dos tempos, a atestar, no fundo, a pertinência da sua localização e a relativa abundância de recursos naturais imprescindíveis à normal subsistência das comunidades humanas de modo, mais ou menos, ininterrupto.

Diz a lenda que "em tempos antigos era tudo por este sítios barrancos e precipícios medonhos, um cavaleiro vindo dos lados de Barca d'Alva em noite de tempestade, chegou à margem da Ribeira do Mosteiro que ia de mar a monte. Dada a necessidade impiedosa de atravessar o bravo curso de água, pois tinha a sua amada à espera, suspirou aflito: Valha-me Deus ou o Diabo. Foi Satanás que apareceu ao chamamento e disse: Se me deres a tua alma, antes que o galo preto cante, te darei uma ponte e uma estrada para que possas seguir a tua cavalgada sem perigo. O Cavaleiro aceitou e o infernal pedreiro e seus acólitos atarefaram-se na arrojada construção de uma calçada entre os fraguedos, distribuindo 18 elegantes lancetes em gogos da ribeira, ao som estridentes cantares de Bruxas que no terreiro se reuniram para festejar a conquista de mais uma alma. Eis que canta o galo três vezes quando apenas faltava colocar as duas últimas pedras da ponte. O cavaleiro liberto do seu compromisso prosseguido a sua viagem e o Diabo enraivecido, desapareceu com os seus acólitos através de uma bocarra que se abriu entre os penhascos".

Percurso Ribeira do Mosteiro – Calçada de Alpajares
Freguesia de Poiares (Freixo de Espada-à-Cinta)
Extensão aproximada: 7 Km
Duração aproximada: 5 h
Grau de dificuldade: Médio (max: 18º)
Tipo de itinerário: Circular
Ponto de partida / chegada: Foz da Ribeira do Mosteiro.
Apoios: percurso sinalizado com marcas, presença de placards interpretativos
Pontos de interesse: Património geológico (dobras, camadas verticais e falhas nos quartzitos), património arqueológico (Calçada de Alpajares e castros de São Paulito e de Alva), fauna e flora rupícolas, moinhos de água abandonados, pombais, parcelas agrícolas mediterrâneas (amendoais, laranjais e olivais), casario tradicional em Poiares, estação ferroviária de Barca de Alva.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Mosteiro de Tibães (Braga)




O Mosteiro de S. Martinho de Tibães , situado em Mire de Tibães, reabriu na sua totalidade quarta-feira passada, depois de uma operação de restauro, recuperação e reabilitação no valor de três milhões de euros. Classificada como imóvel de interesse público, a antiga casa-mãe da Congregação Beneditina em Portugal foi objecto de uma intervenção, que decorreu entre Setembro de 2006 e Dezembro de 2008.

A intervenção abrangeu o antigo claustro do refeitório, que foi destruído por um grande incêndio no final do século XIX. Foram ainda recuperados o noviciado, o hospício e a parte da ala Sul onde se encontram a livraria, a cozinha e alguns espaços anexos. A recuperação e restauro dos espaços permitem a sua integração no circuito de visitas do mosteiro, onde será instalado um centro de informação de ordens monásticas. O emblemático edifício é finalmente devolvido à população, estando prevista a reinstalação de uma comunidade religiosa, que irá gerir uma pequena hospedaria e um restaurante, instalado no antigo hospício.

Espaço monumental belíssimo, fundado em finais do século XI, assume-se, durante os séculos XVII e XVIII, como importante centro produtor e difusor de culturas e estéticas, transformando-se num dos maiores e mais importantes conjuntos monásticos beneditinos e num lugar de excepção do pensamento e arte portugueses.

Acessos:

AUTO-ESTRADA A3 (Valença / Porto)
- Saída no nó Martim;
- Após as portagens, terão acesso à estrada nacional Braga-Barcelos (nacional 103);
- Virar à direita, no sentido de Barcelos cerca de 2 Km até uns semáforos reguladores de velocidade junto de uma igreja que se situa do lado direito da estrada;
- Virar à direita, no entroncamento tem as seguintes indicações: Mosteiro de Tibães, Pousa, Graça e Feital. Seguir nesta estrada (nacional 205-4) +/- 7 Km até uma rotunda, em Mire de Tibães.
- Na rotunda virar à direita e seguir sempre em frente +/ - 700 metros, chegando então ao terreiro do mosteiro.

sábado, 5 de setembro de 2009

Ponte da Misarela (Montalegre / Vieira do Minho)





No Barroso, muitas são as lendas passadas de geração em geração, mas a mais notória de todas será a da Ponte da Misarela, em que, como em tantos outros casos acontece, o protagonista é o diabo. O próprio, em pessoa. Ligando as freguesias de Ruivães (Vieira do Minho) a Ferral (Montalegre), o cenário do episódio é a velha Ponte da Misarela, sobre o Rabagão, cujas margens penhascosas surgem belas a uns e horríveis a outros, conforme a imaginação e o estado de espírito. Conta, a lenda que, sabe-se lá quando, um desgraçado criminoso, tentando escapar-se ao longo braço da justiça, acabou por ver-se encurralado, em desespero, nos penhascos sobranceiros ao rio Rabagão. É natural e comum que, em tão adversas circunstâncias, se apele à intervenção divina, mas, talvez porque fosse excessivo o peso dos pecados na consciência, o foragido optou por convocar o diabo, que está sempre atento a estes lances para deles sacar proveito. Assim, foi instantânea a aparição do mafarrico, que não esteve com meias medidas na chantagem do costume: "Salvo-te, pois claro, se me deres a alma em troca". E que importância tem a alma, quando é o corpinho que está com problemas?
Aceitou o celerado a oferta e, logo ali, com o poder que se lhe reconhece, o diabo, enquanto esfregava um olho, fez aparecer uma ponte ligando as margens do rio. Sem olhar para trás, o perseguido atravessou para a outra margem, após o que, sujeito de palavra, o demónio fez desaparecer a ponte, assim travando a perseguição das autoridades.
Retomou o maligno às suas infernais instalações com a alma do desgraçado, mas o assunto não se ficava por ali. Salvo o corpo mas perdida a alma, viria o criminoso arrepender-se da permuta, pelo que decidiu procurar um frade - conhecido na região por viver em estado de santidade - e contar-lhe o sucedido. "Pecado, meu filho, terrível pecado!", conjecturou, supõe-se, o santo homem, passando, de pronto, ao conselho prático: "Vais outra vez ao lugar junto ao rio e voltas a chamar o Diabo, tomando a pedir-lhe ajuda para a travessia. E deixa o resto comigo".
Assim foi feito. O desalmado chama, o cornudo aparece e, com assinalável espírito de colaboração e não menos louvável desinteresse - a'alma do outro já lá cantava -, satisfaz o pedido: a ponte salvadora reaparece. O homem começa a atravessá-la, mas, quando ia a meio, aparece na outra extremidade o frade magano, que rapa da água benta e asperge com largos gestos. Fica benzida a ponte, que permanece no sítio, esfuma-se o mafarrico e o penitente recupera a alma perdida. Consumava-se a vitória do Bem sobre o Mal, mas ficava, ainda, mais que contar.

Acrescenta a lenda que, radicado nas populações circunvizinhas o carácter sagrado da Ponte da Misarela, passou a ser hábito que, quando uma mulher não levava os filhos a cabo - ou seja, quando algo ia mal na gravidez -, se dirigisse à Ponte e debaixo dela pernoitasse, na expectativa de ajuda celeste para o seu problema. Na sequência da operação, estava estabelecido que a primeira pessoa que atravessasse a Ponte no dia seguinte teria que ser padrinho ou madrinha da criança, à qual seria posto o nome de Gervásio, se rapaz viesse ao mundo, ou de Senhorinha, se de rapariga se tratasse. E isto para que, por obra e graça do pré-baptismo, a mulher tivesse um bom sucesso na sua gravidez.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Frecha da Mizarela (Arouca)







Localizada a 920 metros de altitude, a aldeia da Mizarela está limitada a sul e sudoeste por uma falésia, e pelo vale do rio Caima, a sudeste, que neste local se torna subitamente profundo, originando uma brusca queda de nível, dando origem à chamada Frecha da Mizarela.

Situada na serra da Freita, a queda de água no rio Caima, com cerca de 60 m de altura, é uma das mais altas de Portugal e da Europa, graças a uma das maiores fracturas geológicas existentes na Península Ibérica. É um monumento natural excepcional que pode ser apreciado a partir de diversos miradouros ou do próprio leito do rio junto à freguesia de Albergaria da Serra. Há, ainda, diversos trilhos pedestres bem assinalados que permitem descer ao vale, à base da queda, junto à povoação da Ribeira. Para os amantes dos desportos de aventura, as suas escarpas são um óptimo local de escalada, servindo, muitas vezes, para a respectiva iniciação e como preparação para provas mais arrojadas.

A Serra da Freita faz parte do Maciço de Gralheira, juntamente com a Serra da Arada (1057 m.) e do Arestal (830 m.), ultrapassando alguns dos seus cumes os 1000 m. de altitude. Alberga espécies faunísticas e florísticas raras, algumas mesmo em vias de extinção. O coberto vegetal predominantemente constituído pela urze e pela carqueja, e nas zonas de encosta, por pinheiros, carvalhos, medronheiros e azevinho, protege o lobo ibérico, o javali, a águia de asa redonda, o gato-bravo, entre outros. Para além do rio Caima, nascem nela múltiplos ribeiros de águas cristalinas que, vencendo abismos e serpenteando montes, vão engrossar os caudais do Paiva e do Arda.

Acessos: Para quem vem de Lisboa ou do Porto, recomendo a entrada na Serra da Freita por S. João da Madeira (EN 227) ou por Vale de Cambra (EN 224), em direcção à povoação de Chão de Ave, surgindo imediatamente placas indicativas.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Aldeia de Levadas (Castro Daire)


Foto de Helio - ARK
Artigo inspirado numa ideia do amigo Jotas

Em plena Serra de Montemuro, situa-se aldeia de Levadas, pertencente à freguesia de Cabril. É inteiramente constituída por casas de arquitectura tradicional, com paredes em granito e telhados em xisto. Contudo estamos numa aldeia fantasma. Aldeia fantasma pois já aqui não habita vivalma, o que transmite um encanto redobrado a esta povoação. O último habitante partiu há cerca de 8 anos.
Todo o pormenor nos enche a vista, desde a fonte ao canastro ou ao caminho murado coberto pela ramada em direcção aos moinhos. Só os geradores eólicos estragam a paisagem.
Hoje, a maior parte dos terrenos abandonados mantém um potencial turístico elevado.
Surgiram rumores de empresas interessadas em adquirir a aldeia, no sentido de a dinamizar, mas o projecto não teve pernas para andar.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Convento de São Francisco (Santarém)




Em ruína depois de um incêndio em 1940, as obras de restauro que a seguir tiveram lugar nunca mais eram concluídas até que a Câmara Municipal de Santarém decidiu investir no edíficio abrindo-o à população no dia 24 de Julho deste ano. As portas do convento tornarão a fechar para trabalhos de consolidação e embelezamento, esperando-se a sua reabertura definitiva quando for assinado o protocolo com o Governo que transfere a sua posse jurídica para a Câmara Municipal.

Os Franciscanos instalam-se em Santarém em 1240, fruto da sua expansão pela Europa e, por consequência, em Portugal. O seu modo de vida despojado serviria de modelo à pregação das boas práticas cristãs. Instalando-se numa área periférica da vila medieval, reuniam assim condições para levar a efeito os seus objectivos predicatórios junto da população.

O Convento foi mandado construir no reinado de D. Sancho II, cerca de 1242. Ao longo de oito séculos de existência, constata-se que o complexo monacal nunca foi considerado terminado. Após a fundação da igreja e sala do capítulo, por ventura os primeiros elementos a serem construídos, até ao abandono da função monástica, nos inícios do século XIX, o conjunto sofreram várias campanhas de obras.

No século XVI o convento serve de hospital da Ordem e em meados do século XVII a população ascenderia a sessenta monges. Cedo o Convento afirma a sua importância junto da comunidade como parece evidenciar a construção de um alpendre no adro da igreja, ainda no final do século XIII, para albergar a população que afluía à igreja ou para a realização de actos públicos, como a reunião das cortes de 1477.

Após a extinção das ordens religiosas em 1834, o monumento recebe a cavalaria passando no século XX a integrar a Escola Prática de Cavalaria. Em 1917 o complexo arquitectónico é classificado como Monumento Nacional, tendo-se iniciado na década de 40 intermináveis obras de recuperação da responsabilidade da Direcção Geral dos Monumentos Nacionais. Aqui foi D. João II proclamado rei em 1447. Ao seu claustro e estrutura espacial góticos juntam-se os elementos dos sécs. XV e XVI, designadamente os três portais manuelinos. O seu pórtico principal insere-se nos figurinos do mosteiro da Batalha, bem como o túmulo de D. Duarte de Menezes.
As escavações arqueológicas realizadas na década de 90 colocaram em evidência uma série de sepulturas escavadas na rocha tanto na nave central da igreja como nas capelas laterais, na zona do adro e vários silos de Época Islâmica anteriores ao próprio Convento.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Praia fluvial de Valhelhas (Guarda)






Aqui, na região da Beira Interior, junto à Serra da Estrela, sente-se que a natureza fervilha, pois encontra-se em estado puro.

Graças ao trabalho desenvolvido, a Praia Fluvial de Valhelhas possui infraestruturas de excelência, como um posto de primeiros socorros, bar, chuveiros, áreas de jogos, de merendas, churrascos , local destinado a pequenas embarcações e uma zona de estacionamento reservada especificamente para utentes com mobilidade reduzida, estendendo-se por 16 hectares.
A distinção atribuída pela Associação Bandeira Azul da Europa premeia o cumprimento de um conjunto de critérios de natureza ambiental, de segurança e conforto dos utentes e de informação e sensibilização ambiental. A Bandeira Azul, distinção máxima em termos de qualidade da água para um rio, o Zêzere, muito afectado pela poluição humana, no passado. O rio Zêzere é o principal curso de água de Valhelhas e um imprescindível meio para manter as culturas agrícolas marginais, através da rega distribuída por levadas que conduzem as águas desde os açudes que estratégicamente são feitos em diversos pontos do rio.

Nesta freguesia, realce também para uma ponte filipina de quatro arcos a ser actualmente restaurada.

sábado, 15 de agosto de 2009

Convento do Bom Jesus de Valverde (Évora)



A diocese eborense, ou Mitra de Évora, instituiu no início do séc. XVI, perto da ribeira de Valverde, uma quinta com paço episcopal. Terá sido o Infante Dom Henrique, primeiro arcebispo de Évora e futuro cardeal, quem fundou nos terrenos da quinta um convento de frades capuchos, da invocação do Bom Jesus, cuja comunidade aí se instalou em 1517.
A cúpula central ergue-se sobre um tambor muito elevado, rasgado por oito janelas. Destaca-se a notável igreja renascentista de planta centralizada, outrora decorada com retábulos atribuídos a Gregório Lopes e o claustro de planta quadrada com arcarias redondas e colunas de ordem toscana no piso inferior.
Na área do horto, também conhecido por "Jardim de Jericó", conservam-se várias estruturas hidráulicas construídas entre os séculos XVI e XVIII, de que se destacam pela sua monumentalidade o aqueduto, a "Casa da Água" (poço-cisterna) e o tanque circular também chamado dos Cardeais.
Após a extinção das ordens religiosas, em 1834, todo o conjunto acabou por ficar na posse do Estado, que aí instalou um Posto Agrário, mais tarde a Escola Prática de Agricultura, a depois ainda a Escola de Regentes Agrícolas. Actualmente, o Colégio da Mitra e o do Bom Jesus de Valverde constituem, com a Herdade Experimental da Mitra e o seu complexo habitacional, o Polo da Mitra da Universidade de Évora, onde funcionam departamentos de Ciências Agrárias e Biologia e serviços de apoio, incluindo uma herdade experimental.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Mosteiro Santa Clara-a-Velha (Coimbra)




Na margem esquerda do Mondego em frente à cidade de Coimbra, mandou D. Isabel de Aragão, em 1314, erguer o mosteiro de Santa Clara, no local do primitivo núcleo de monjas clarissas fundado em 1283 por D. Mor Dias.

Dada a proximidade do rio Mondego, a história deste espaço foi desde logo moldada pela invasão das águas. A primeira inundação ocorreu no ano seguinte ao da sagração, e a partir daí as repetidas cheias do rio provocaram o progressivo assoreamento do mosteiro, e determinaram algumas transformações no edifício. No século XVI, o claustro estava já permanentemente alagado de Inverno e de Verão.
Em 1677 dá-se a inevitável transferência da comunidade para o mosteiro de Santa Clara-a-Nova, construído mais acima, no Monte da Esperança, razão porque passou este a ser conhecido por Santa Clara-a-Velha. Este abandono e a imersão nos sedimentos e águas, ao causar o desmoronamento e ruína da estrutura claustral, permitiu também que a parte inferior se mantivesse inalterada durante os séculos seguintes, sem intervenções e acrescentos estilísticos posteriores.
Entre 1995 e 1999 procedeu-se a uma vasta campanha arqueológica, rebaixando-se o nível freático, através do bombeamento permanente das águas, para permitir uma escavação mais próxima do ambiente "seco", e que levou à desobstrução da igreja e do claustro até à cota do pavimento, pondo a descoberto as estruturas arquitectónicas até então enterradas e submersas, contribuindo com novos dados para a história da arte e da arquitectura portuguesas.

No fim de Abril deste ano, o Mosteiro reabriu ao público após um encerramento de 12 anos para a realização de obras de recuperação que custaram 25 milhões de euros, incluindo o isolamento da área das águas subterrâneas provenientes do Mondego, através de um complexo projecto de engenharia.
Os visitantes podem usufruir de um centro interpretativo, de áudio-guias e de diversos dispositivos multimédia para melhor conhecer a história do edifício e do processo de reabilitação. Concebido para o público e investigadores, o centro interpretativo consiste num edifício de mil metros quadrados, com funções museológicas, dotado de um auditório, salas de exposições, uma loja e uma cafetaria voltada para o monumento, num espaço onde o elemento água está sempre presente.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Quinta da Bacalhôa ( V. F. Azeitão)



A denominação tradicional desta quinta, situada em Azeitão, deve-se possivelmente à alcunha de "Bacalhau" que tinha D. Jerónimo Manuel, Capitão-Mor das naves da carreira da Índia, marido de D. Maria de Mendonça e Albuquerque, herdeira da Quinta da Bacalhoa, que foi pertença de Afonso de Albuquerque, filho do vice-rei da Índia com o mesmo nome.
Foi, ainda, por mais de 500 anos, a Quinta e o Palácio da Bacalhôa um nobre domínio: primeiro na posse dos infantes da Dinastia de Aviz e posteriormente na de Afonso Brás de Albuquerque, ou Afonso de Albuquerque, filho. Porém, após a morte deste notável fidalgo, o domínio sofreu um percurso acidentado e por vezes degradante.

O Palácio e a Quinta da Bacalhôa formam só por si um monumento artístico da mais alta significação em Portugal. Foi o inicio de uma grande revolução artística chamada a Renascença. Impunham-se regras de simetria e ordem, subordinava-se o traçado do edifício a um todo homogéneo, formando como o homem, um ser único e simétrico nas suas partes. A Bacalhôa será talvez a edificação, em que se estreou em Portugal o estilo arquitectónico da Renascença, uma estreia de transição mas que também não obedece a um estilo puro.

Os seus vinhos, o Quinta da Bacalhôa e o Palácio da Bacalhôa, são dos mais famosos de Portugal. Relatos hoje históricos falavam sempre de vinhas na Quinta.
As condições edafoclimáticas da Quinta, a sua exposição suave a Norte e os seus solos, permitem uma maturação longa e completa das duas castas. Estas condições especiais marcam e personalizam o vinho aí produzido. A primeira colheita é o 1979 e logo foi considerado um dos melhores vinhos de Portugal. Desde então todos os anos é lançado um novo Quinta da Bacalhôa. Em 2000 é lançado pela primeira vez uma nova marca da Quinta, o Palácio da Bacalhôa, um “1º vinho” da propriedade que será produzido só nas melhores colheitas.

Os seus jardins e o engenhoso sistema hidráulico que os alimentavam são dos mais notáveis de Portugal. No plano estético representam um compromisso entre o gosto renascentista e a tradição portuguesa

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Viagem Medieval Stª. Maria da Feira

30 de Julho a 9 Agosto de 2009






A 13ª edição da Viagem Medieval em Terra de Santa Maria, iniciativa da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira em parceria com a Federação das Colectividades de Cultura e Recreio do Concelho, vai decorrer de 30 de Julho a 9 de Agosto de 2009, revivendo-se os primeiros anos do reinado de D. Afonso IV, o Justiceiro e depois o Bravo, que se destacou pelas reformas legislativas e judiciais que implementou e que duraram largos séculos.
Esta viagem ao passado permite que Santa Maria da Feira reviva, durante dez longos dias, grandes momentos de lazer, preenchidas pelo bulício dos mercadores, dos artesãos e das regateiras da feira, pelo labor dos artífices, pela arrogância dos cavaleiros que mostram a sua audácia em intensos combates, disputados em justas e torneiros, pela alegoria de personagens que vagueiam, pelo espírito de alegria que invade todo o burgo com sons e fantasias musicais que deslumbram e encantam todos aqueles que nela participam e visitam.
Com características únicas no país, este projecto diferencia-se pelo rigor histórico, dimensão (espacial e temporal) e envolvimento da população e associativismo local, reforçando uma vasta equipa de mais de mil pessoas de diversas áreas, das quais 250 em regime de voluntariado.
Centrada na recriação de episódios e acontecimentos que marcaram a história local e nacional da Idade Média, a VM começou por realizar-se no Castelo, mas rapidamente, se expandiu para todo o centro histórico e zona envolvente, ocupando actualmente uma área de 40 hectares. Recentemente, a VM foi distinguida com uma menção honrosa na terceira edição dos Prémios Turismo de Portugal, na categoria de "Animação".

Alojamento:
Hotel Feira Pedra Bela
Hotel Íbis – Europarque
Hotel Nova Cruz
Residencial dos Lóios

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Reserva Botânica de Loendros (Cambarinho - Vouzela)



A Reserva Botânica de Cambarinho fica situada na povoação de Cambarinho, freguesia de Campia, concelho de Vouzela, distrito de Viseu, na vertente norte da Serra do Caramulo.
O Rhododentron Ponticumm, vulgo loendro, é um arbusto de crescimento espontâneo na Península Ibérica. Apresenta as folhas alongadas e flores vermelho violáceas de rara beleza. Prefere as zonas húmidas onde emoldura ribeiros e regatos nos meses de Maio e Junho obrigando os olhos dos visitantes a maravilharem-se num magnífico espectáculo de cor pela sua floração. Esta espécie encontrou na Serra do Caramulo e nos afluentes do Rio Alfusqueiro características climáticas e um solo propícios ao seu desenvolvimento.

Devido ao seu valor científico, educativo, turístico e paisagístico, os Loendros foram a 15 de Fevereiro de 1938 classificados com espécie de interesse público, através do Decreto Lei n.º 28468. No entanto, visto esta classificação não garantir a sua protecção foi posteriormente toda a área elevada à categoria de Reserva Botânica Integral, através do Decreto Lei n.º 364/71 de 25 de Agosto.
Recentemente viu a sua importância reconhecida já que faz parte da Lista Nacional de Sítios da Rede Natura 2000 (2.ª fase).

Sendo uma planta venenosa foi perseguida, através dos tempos, como planta indesejável nas matas e nos campos de cultivo por parte dos proprietários do gado, pois por vezes o gado ingere as folhas, originando graves perturbações nos animais e que podem levar à morte. Devido à sua rara beleza, o seu corte serve para enfeitar as ruas, edifícios e andores na altura das procissões religiosas. Servem também para a construção das “sebes” dos carros de vacas, dada a maleabilidade das suas varas para o trabalho de encanastrar.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Paço Real de Caxias (Oeiras)



O Paço Real de Caxias tem a sua origem no século XVIII, quando o Infante D. Francisco, filho de D. Pedro II e de D. Maria Sofia de Neuborg iniciou a construção. Com a sua morte, acaba por ser o Infante D. Pedro V a tomar posse da Casa do Infantado, a que pertencia a Quinta e a terminar as obras.
Entre 1826 (data da morte D. João VI) e 1833 o paço esteve abandonado, até que D. Miguel de Bragança o ocupa durante alguns meses. Anos mais tarde serve de residência de Verão da Imperatriz e Duquesa de Bragança. Em 1985 é celebrado protocolo entre o Estado-Maior do Exército e a Câmara Municipal de Oeiras que procedeu à recuperação, manutenção e reutilização do jardim e cascata.
Situado à beira mar, este pequeno “Jardim Le Nôtre” é bem um exemplo da sofisticada vida social do século XVIII. O principal elemento do jardim é a cascata, de várias galerias comunicantes e dispostas em trono, corada por pavilhão octogonal, tendo em plano médio o tanque de onde parte da água caía no lago e onde se salienta o conjunto escultórico de Machado de Castro. As estátuas representam uma cena mitológica, segundo a qual a Deusa Diana vinha tomar banho junto da gruta onde o seu amado pastor Endimião dormia um sono eterno. Das estátuas partiam vários jogos de água, emprestando ainda mais movimento aos figurantes deste gigantesco palco wagneriano.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Queda do Vigário (Alte - Loulé)



A Queda do Vigário é uma queda de água da ribeira de Alte, que nasce na Quinta do Freixo, junta-se com a ribeira de Algibre perto de Paderne, formando a ribeira de Quarteira. Despenha-se a pique a 24 metros de altura caindo num grande lago que se assemelha a um alguidar, num local de grande beleza natural

Esta obra terá sido feita a mandado de Duarte de Melo Ribadeneyra, 18º Senhor de Alte, nos finais do século XVII, com o objectivo de embelezar a ribeira. No entanto, supõe-se que já existisse uma queda de água mais pequena, permanente ou temporária, nesse local. Há registos, nos arquivos da Casa d’ Alte que referem que a Queda do Vigário ficou tão bem construída, que nem foi afectada com o terramoto de 1755. Outrora, este espaço era muito procurado pelos habitantes locais para passear e tomar banho, aos domingos ou em dias de festa.

O terreno envolvente à Queda do Vigário foi adquirido, a particulares, pela Câmara Municipal de Loulé em 2002, que executou, posteriormente, obras com vista à criação de acesso, zona de lazer, parque de merendas e um edifício de apoio.
O espaço sofreu remodelações recentes, tornando-o ainda mais aprazível e propicio a momentos de lazer.

O acesso a este bonito espaço faz-se, após o estacionamento, junto ao cemitério de Alte, numa descida de cerca de 300 metros.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Cheleiros (Mafra)



A freguesia é atravessada pela Ribeira de Cheleiros que é responsável pela drenagem das terras, e, em grande parte, pela respectiva fertilidade agrícola.
Toda a freguesia se estende ao longo de vales, nos quais abundam os arvoredos, principalmente os pomares e os vinhedos, que tradicionalmente constituíam a principal fonte de recursos da população. Actualmente, e de acordo com dados fornecidos pela Junta de Freguesia, estima-se que pouco mais de 50 pessoas se dediquem ainda à actividade agrícola, da qual uma grande parte é agricultura de subsistência e apenas uma pequena parte fornece os mercados da Grande Lisboa.

Restaurada pontualmente ao longo dos séculos (e mais recentemente na década de 80 do século XX), a Ponte Velha de Cheleiros - como também é conhecida - permanece como principal referência monumental e identitária desta vila. Sabe-se muito pouco acerca da ponte antiga de Cheleiros. A maioria dos autores aponta para uma origem romana, servindo a estrada que, "de Galamares, Faião e Cheleiros conduzia a Mafra". A robustez da construção, a solidez que, ainda hoje, transmite e, sobretudo, o facto de o seu arco ser de volta perfeita, amplo, e constituído por grandes silhares cuidadosamente aparelhados, são indicadores que sugerem esse passado romano, condição reforçada ainda pela ampla romanização (de carácter eminentemente rural) do actual concelho de Mafra. Existem, todavia, outros indícios que favorecem uma catalogação estilística gótica.

Do ponto de vista do património cultural, merecem ainda destaque o cruzeiro instalado na zona do Arrebalde, o chafariz centenário, o relógio de sol de mostrador quadrado situado na Igreja Matriz, o pelourinho, e a capela do Espírito Santo.
A Igreja Matriz, considerada monumento nacional, é um bom exemplo das influências manuelinas na arquitectura rural.
O vinho abafado do Carvalhal tem fama, tal como a aldeia de Broas, reminiscência de um passado retintamente saloio. Foi Vila e Concelho, com foral de 15 de Fevereiro de 1195, confirmado por D. Dinis, e novo por D. Manuel, de 1516.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Alcofra (Vouzela)



Situada na vertente norte da Serra do Caramulo, Alcofra é uma terra deslumbrante, em parte graças aos rododendros, espécie botânica de grande beleza, que entre Maio e Junho, lhe dão um magnífico colorido. O rio Alcofra sulca as suas terras, tornando-as férteis para a prática da agricultura, sendo a agro-pecuária a actividade base para a economia local.

O povoamento de Alcofra é muito remoto, não só anterior às primeiras informações documentadas, dos séculos XII e XIII, mas de épocas pré-romanas, visto que nas imediações e nas altas montanhas que circundam as várias povoações da freguesia, não faltavam fortificações castrejas. O próprio topónimo, Alcofra, indica presença árabe na região; existem duas versões para o seu significado: a primeira será “all” que significa “os”, seguido do substantivo “cafres” que significa “infiéis”, referindo-se provavelmente aos árabes que aqui passaram e que terão chamado aos habitantes da zona, infiéis, por estes serem cristãos e não aderirem ao maometismo; a segunda versão é talvez a mais lógica, pois a palavra “alcofra” existe no vocabulário árabe, e significa “algo côncavo, como uma cesta ou uma bacia” e Alcofra tem estas características, pois tem a forma de uma bacia, cercada de montes por todo o lado.

Situada em Cabo de Vila, Alcofra, é, das três torres, a que se encontra em melhor estado de conservação, o que se deve em parte à intervenção recente de que foi alvo pela Câmara Municipal de Vouzela e pelo facto de ser a construção mais tardia. A sua construção deve datar entre os séculos XIV e XV. Este tipo de construção erguia-se em locais férteis, ricos em água, em zonas de aluvião, geralmente de fácil acesso. A Torre Medieval de Alcofra insere-se nesse quadro. Implantada num vale, a torre goza de uma vista privilegiada sobre os campos de cultivo.
O acesso ao interior da Torre fazia-se por uma escada movível que alcançava a porta, situada na face sul, no primeiro andar. A preocupação defensiva, inerente a tal dificuldade, é sublinhado pelo facto de no rés do chão apenas existirem umas frestas verticais muito estreitas para arejamento do interior.
Segundo a lenda, esta torre possui um túnel que vai até ao Monte Gralheiro e que terá acoitado os soldados cristãos em luta contra os mouros.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Praia Fluvial Quinta do Barco (Sever do Vouga)


Em 2006, foi atribuído a praia fluvial Quinta do Barco o galardão de acessibilidade. Um selo de qualidade da responsabilidade da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDR-Centro). No sentido de assegurar as condições necessárias para ser reconhecida como praia acessível, a Câmara Municipal procedeu a algumas intervenções de forma a facilitar a sua utilização por todos os utentes, incluindo os com mobilidade condicionada, seja ela permanente ou temporária.
Situada na margem esquerda do rio Vouga, na Paradela do Vouga, esta praia fluvial fica inserida num cenário natural verdejante. Oferece bons serviços de apoio, incluindo um restaurante de gastronomia regional, bar e esplanada, para além de uma loja de venda de artesanato. Dispõe ainda de parque infantil, zona de merendas e balneários.
A praia artificial da Quinta do Barco é um lugar magnífico para os lazeres e os desportos radicais. Aqui pode contornar o Vouga em canoa para admirar a ponte do Poço Santiago.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Pego do Inferno (Tavira)



A aproximadamente 7km de Tavira, na freguesia de Stº Estêvão, encontra-se o Pego do Inferno, em pleno barrocal algarvio.

Com o objectivo de dar a conhecer uma das zonas mais aprazíveis do concelho de Tavira, a autarquia requalificou parte da envolvente natural que enquadra a Ribeira da Asseca e respectivas quedas de água das quais se destaca o Pego do Inferno.

Durante o percurso, é possível observar-se a Ribeira da Asseca, considerada um dos cursos de água mais importantes do concelho. Outrora, local de azenhas e moinhos de trigo.

Nas margens ribeirinhas, por vezes, é possível apreciar algumas espécies faunísticas que dependem directamente de água, tal como o cágado (Mauremys leprosa) e o sapo-comum (Bufo bufo). Podem, ainda, ser vistas diversas espécies animais, tal como a lebre (Lepus capensis), o ouriço-cacheiro (Erinaceus europaeus), e a cobra-rateira (Malpolon monspessulanus).

Apesar da beleza de todo o percurso, o ponto alto da visita é a chegada ao miradouro do Pego, onde se pode admirar a queda de água. Este local utilizado muitas vezes como zona de banhos, não está, no entanto, designado como praia fluvial.

O acesso ao Pego do Inferno, após o estacionamento no parque, onde existe um pequeníssimo bar de apoio, faz-se durante cerca de 100 metros até se aceder a uma escadaria de madeira, começando aí o percurso propriamente dito, levando a descida até ao Pego cerca de 300 a 400 metros.
Existem algumas lendas associadas a este lugar. A mais popular e a que dá o nome de Pego de Inferno ao local é a da carroça que se despenhou no pego. Os corpos e a carroça nunca foram encontrados o que levou à crença que o pego não teria fundo e quem ali caísse iria dar directamente ao Inferno. Porém existe quem afirma que os corpos e alguns destroços da carroça foram encontrados alguns dias depois no mar o que faz com que muitos acreditem ainda na existência de túneis subterrâneos entre o pego e os Rios Gilão e Guadiana. Mas, segundo os especialistas e após alguns estudos e medições, o Pego não terá mais de sete metros de profundidade.

Acessos: o melhor é sair da Via do Infante (A22) em direcção a Tavira e logo na primeira rotunda virar para Santa Catarina. Umas centenas de metros depois surge uma pequena placa a indicar que o Pego fica para a direita. Mais uns metros e surge outra indicando para a esquerda.